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Juros da dívida fixam novo mínimo histórico

As yields das Obrigações do Tesouro português a 10 anos desceram pelas 9h30 para 2,69%

Marcos Borga

Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos desceram para 2,69%, um novo mínimo histórico. Também os juros das obrigações espanholas na mesma maturidade de referência fixaram mínimos em 1,68%.

A trajetória de descida das yields da dívida obrigacionista dos periféricos no mercado secundário continua a descer para novos mínimos históricos, com exceção da Grécia que atravessa um período de crise política com eleições presidenciais antecipadas e alta probabilidade de eleições legislativas antecipadas no primeiro trimestre de 2015.

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos desceram pelas 9h30 para 2,69%, um novo mínimo histórico. O anterior mínimo de 2,71% havia sido registado a 8 de dezembro. Em relação ao fecho de sexta-feira, o custo da dívida obrigacionista portuguesa no prazo de referência desceu quatro pontos base. Desde 10 de outubro, que as yields das OT no prazo de referência se situam abaixo de 3%.

Também as yields das obrigações espanholas na mesma maturidade desceram esta segunda-feira para 1,68%, um novo mínimo histórico.

Na semana passada, depois da acalmia da crise cambial russa e da descida do índice de pânico financeiro na Europa, as yields da dívida espanhola, irlandesa e italiana, entre os periféricos do euro, fixaram mínimos históricos.

A trajetória de descida para mínimos históricos no custo de financiamento da dívida soberana para níveis cada vez mais baixos na maioria dos periféricos e também nas economias do "centro", com destaque para a Alemanha (com yields em 0,6% a 10 anos) e França (com yields abaixo de 0,9% a 10 anos), é atribuída principalmente à expetativa, por parte dos investidores financeiros, que o Banco Central Europeu avancará para um programa de compra de dívida soberana no primeiro trimestre de 2015.

 

Segunda volta das presidenciais na terça-feira

O custo de financiamento da dívida grega a 10 anos desceu na abertura desta segunda-feira para 8,3%. É o mais elevado entre os periféricos, tendo-se invertido a trajetória de descida para níveis em torno de 5,5% em agosto. Depois do surto de pânico financeiro geral nos mercados financeiros de outubro, com a abertura da crise política na Grécia no final de novembro implicando a convocação de eleições presidenciais antecipadas em dezembro, as yields das obrigações gregas de médio e longo prazo subiram para níveis acima de 9%. Desceram desse patamar a 17 de dezembro, depois da conclusão da crise do rublo e da primeira volta das presidenciais, em que o candidato único apresentado pelo governo recolheu, apenas, 160 votos em 200 necessários.

Amanhã realiza-se a segunda volta, continuando a ser necessário um mínimo de 200 votos (em 300 deputados) para eleger Stavros Dimas.

No sentido de conquistar deputados para uma maioria de 180 votos na terceira volta, o primeiro-ministro Antonis Samaras fez, no domingo, através de uma comunicação televisiva inesperada, uma proposta de consenso para a eleição do candidato Stavros Dimas. A troco da eleição do candidato, o governo convocaria eleições legislativas antecipadas para o final de 2015 (seis meses antes do final do mandato em junho de 2016) e renovaria o atual governo incluindo ministros de deputados independentes não representados atualmente na coligação (formada pela Nova Democracia de direita e o PASOK socialista).