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Juros da dívida descem para a Grécia e sobem para os outros periféricos

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Juros das obrigações gregas a 10 anos descem esta terça-feira para 9,5% enquanto, nos restantes periféricos, a trajetória é de subida, com os juros das Obrigações do Tesouro português naquela maturidade a registarem 1,95%, depois de um mínimo de 1,74% na segunda-feira.

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos continuam esta terça-feira a trajetória de subida iniciada no início da semana no mercado secundário, depois de registarem um mínimo histórico de 1,744% pelas 8h55 de segunda-feira. Pelas 14h05 desta terça-feira atingiram 1,95%, estando agora em trajetória descendente, registando 1,89% pelas 15h.

Este movimento ascendente das yields naquela maturidade de referência é comum a mais três periféricos do euro, abrangendo as obrigações espanholas, irlandesas e italianas, que subiram em relação aos mínimos históricos registados na última semana de fevereiro.

A única exceção entre os periféricos é a Grécia, com as yields das obrigações a 10 anos a descerem esta terça-feira para 9,47% pelas 11h30, registando 9,54% pelas 15h. No fecho de segunda-feira registavam 9,72%. Neste prazo de referência, as yields fecharam o mês de janeiro, a seguir às eleições de 25 de janeiro ganhas pelo Syriza, em 11,45% e registaram 9,6% no final de fevereiro.

As yields, neste prazo, chegaram a descer para 5,475% no verão de 2014, acompanhando a tendência geral de descida na zona euro, mas inverteram a trajetória desde o início da crise política aberta pelo anterior governo de Antonis Samaras quando viu rejeitada a possibilidade de uma "saída limpa" no final do ano do programa de resgate financiado pelos fundos europeus (o programa com o Fundo Monetário Internacional estende-se até março de 2016).

 

Semana crítica para Varoufakis

O ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis anunciou apresentar uma lista de seis reformas de "implementação imediata" na próxima reunião do Eurogrupo (órgão de reunião dos 19 ministros das Finanças da moeda única) a 9 de março para discussão entre os pares do euro.

O jornal grego "Kathimerini" noticiou que o ministro realizou esta terça-feira uma teleconferência com os representantes das três instituições oficiais credoras - a antiga troika - preparando a reunião de segunda-feira próxima e que as medidas deverão ser enviadas para o Grupo de Trabalho do Euro analisar ainda esta semana.

Varoufakis garantiu em entrevista ao canal "Star" que "não haverá evento de crédito em março nem no trimestre", acrescentando que "o abandono do euro pela Grécia seria um regresso à Era do Neolítico", numa resposta direta ao deputado do Syriza e académico na Universidade de Londres Kostas Lambavitsas que disse ao jornal inglês "The Guardian" que a manutenção no euro significa a austeridade perdurar. Lambavitsas defende a saída do euro desde 2011.

Até segunda-feira, a semana de Varoufakis não vai ser tranquila. Na quarta-feira, o Tesouro grego realizará um leilão de Bilhetes do Tesouro com prazo a 26 semanas com um objetivo de colocar 875 milhões de euros. Será um "teste" à reação dos investidores.

No dia seguinte, reúne o Banco Central Europeu em Chipre, não se sabendo se tomará decisões favoráveis à Grécia em termos de aumento do teto para a linha de financiamento de emergência a que podem recorrer os bancos junto do banco central grego e quanto à possibilidade da banca voltar a usar como colateral os títulos especulativos gregos.

Dia 6, o Tesouro pagará a primeira subtranche de 300 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) no âmbito do vencimento em março de uma tranche de 1,5 mil milhões de euros do empréstimo de resgate. Deste modo, com pagamentos em três semanas seguidas a Grécia evita a concretização de um evento de crédito, de incumprimento seletivo de dívida. O novo governo sempre repetiu que honraria os compromissos com o FMI.