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Juros da dívida de Portugal, Espanha e Itália afetados ligeiramente por crise política grega

Os juros da dívida grega voltaram aos níveis da crise de 2010 depois de se saber que a Grécia terá eleições legislativas antecipadas no final de janeiro. Juros da maioria dos periféricos do euro sobem, enquanto o custo de financiamento da dívida das economias do centro marca novos mínimos históricos.

A rejeição do candidato presidencial Stavros Dimas na terceira volta de eleições realizadas esta segunda-feira no Parlamento grego obriga à convocação de eleições legislativas antecipadas que deverão realizar-se a 25 de janeiro. É o primeiro ato eleitoral importante para a zona euro no próximo ano.

A derrota do candidato único presidencial proposto pelo governo de Atenas gerou a subida no mercado secundário das yields da dívida soberana na maioria dos periféricos da zona euro e provocou um aumento do índice de volatilidade VIX ligado ao índice bolsista europeu Eurostoxx 50.

A maré vermelha atingiu seriamente a Bolsa de Atenas e a dívida soberana grega.

O índice bolsista grego chegou a registar uma derrocada de 11% no momento em que se conheceram os resultados da votação no Parlamento e fechou com uma quebra de 3,91%. Desde o início do ano, o índice da Bolsa de Atenas caiu 29,5%, o pior desempenho da União Europeia.

O índice de volatilidade VIX - também conhecido como índice de pânico financeiro - relacionado com o Eurostoxx 50 subiu esta segunda-feira para 24,94 euros, um nível ainda distante dos índices acima de 30 registados nos surtos pontuais de algum pânico financeiro em meados de outubro e de dezembro. No entanto, o índice bolsista para o conjunto da Europa, o MSCI Europe, fechou ligeiramente positivo, registando uma subida de 0,08%. O Eurostoxx 50, das 50 principais cotadas da zona euro, fechou com um ganho de 0,02%.

 

Disparo no custo de financiamento da dívida grega

As yields da dívida grega de médio e longo prazo dispararam num só dia no mercado secundário mais de 100 pontos base. No prazo a 3 anos dispararam 161 pontos base (mais de 1,6 pontos percentuais) em relação ao fecho de dia 24, subindo para 12,15%. No prazo a 5 anos, subiram 135 pontos base fechando em 10,48%. No prazo a 10 anos, subiram 108 pontos base registando no fecho 9,64%. São níveis próximos dos verificados durante a crise de 2010. A rentabilidade nas últimas 52 semanas de toda a dívida obrigacionista grega caiu para 1,07%, segundo o índice da Bloomberg. No final de agosto, aquela rentabilidade era de 64% e liderava a zona euro. A queda foi abissal.

O preço de segurar a dívida grega contra uma bancarrota subiu esta segunda-feira para 1280,35 pontos base, o que equivale a uma probabilidade de entrada em incumprimento na ordem dos 65%. À escala internacional, as situações mais graves registam-se para a Venezuela, Argentina e Ucrânia.

Recorde-se que o segundo programa de resgate à Grécia foi estendido pelo Eurogrupo até final de fevereiro e que o 6º exame pela troika está por concluir. Com eleições gerais previstas para 25 de janeiro, mesmo que ocorra a necessidade de novas eleições até que se possa formar uma maioria estável no Parlamento que suporte um governo, como ocorreu em 2012 (com duas eleições consecutivas em maio e junho), há a probabilidade do Eurogrupo e da troika lidarem com um novo governo até final de fevereiro.

Gerry Rice, o porta-voz do Fundo Monetário Internacional (FMI), confirmou esta segunda-feira que o 6º exame só será concluído com novo governo em Atenas. Esse exame deveria ter sido concluído em agosto. Enquanto a intervenção dos fundos europeus terminará em final de fevereiro, o envolvimento do FMI estende-se até fevereiro de 2016 e as tranches a receber do fundo totalizam ainda 16 mil milhões de euros.

Nos restantes periféricos, o efeito negativo no prazo de referência, a 10 anos, registou-se nas yields da dívida obrigacionista portuguesa (que subiu 5 pontos base), italiana (mais 4 pontos base) e espanhola (mais 3 pontos base).

 

Dívida portuguesa com a rentabilidade mais elevada na zona euro

As yields das Obrigações do Tesouro português, na maturidade de referência, fecharam em 2,76%, um nível próximo do mínimo histórico de 2,69% já registado este mês. A rentabilidade nas últimas 52 semanas de toda a dívida obrigacionista portuguesa subiu para 21,66%, liderando a zona euro, segundo o índice da Bloomberg.

Esta segunda-feira o impacto negativo da crise grega em Portugal, Espanha e Itália foi limitado; só a evolução na terça-feira, a última sessão deste ano, e nas primeiras sessões de 2015, dirá se há "contágio" grego. Os analistas citados pela Bloomberg consideram que esse risco é limitado. O custo de financiamento da dívida em Portugal, Espanha, Itália e Irlanda está em mínimos históricos e o "escudo" do Banco Central Europeu está ativo (com a expetativa inclusive de que o banco central inicie um programa de compra de dívida soberana em 2015). 

O custo de financiamento da dívida irlandesa a 10 anos mantem-se no mínimo histórico de 1,27%, o nível mais baixo entre os periféricos. A crise grega não provocou qualquer alteração.

Nas economias do centro da zona euro, a turbulência política grega está a provocar a descida para novos mínimos históricos no custo de financiamento da dívida alemã e francesa, que fixaram, esta segunda-feira, mínimos de 0,55% e 0,83% respetivamente no prazo a 10 anos.

Em virtude da descida das yields das obrigações alemãs, o prémio de risco da divida portuguesa subiu esta segunda-feira nove pontos base, fechando em 221 pontos base. No caso da Grécia, o prémio de risco disparou para 909 pontos base, um agravamento de 113 pontos base (mais de 1 ponto percentual).