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Juros da dívida alemã em novo mínimo histórico

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Os juros no prazo a 10 anos desceram para 0,172%. As taxas de financiamento das obrigações alemãs entre 12 meses e 7 anos são negativas. Juros em queda nos periféricos, com exceção da Grécia. Programa Draghi é o responsável.

As yields das obrigações alemãs no prazo de referência, a 10 anos, desceram esta quinta-feira no mercado secundário para 0,172%, um novo mínimo histórico. Na quarta-feira haviam fechado em 0,2% no mercado secundário e o Tesouro alemão financiou uma emissão de dívida nessa maturidade pagando uma taxa de remuneração média de 0,25%, a mais baixa de sempre.

O Tesouro alemão financia dívida obrigacionista entre 12 meses e 7 anos inclusive pagando taxas negativas, uma situação única na União Europeia, que a nível mundial só é superada pela dívida suíça que se financia a taxas negativas até aos 10 anos inclusive. No longo prazo, a Alemanha financia-se abaixo de 0,5% a 15 e 20 anos e paga 0,598% a 30 anos, quase 1/3 do que Portugal paga na dívida a 10 anos.

Um dos efeitos da política monetária do Banco Central Europeu (BCE), e em particular do mais recente Programa Draghi de compra alargarda de dívida pública e privada, faz-se sentir nas economias do centro com a descida das yields no mercado secundário para terreno negativo em diversos prazos e para taxas de financiamento da dívida de muito longo prazo abaixo de 1% em casos como a Alemanha e a Holanda a 30 anos e a Áustria a 50 anos.

Outro efeito importante tem-se registado nas yields da dívida obrigacionista da maioria dos periféricos da zona euro, com exceção da Grécia. A descida das yields no mercado secundário para mínimos históricos tem-se acentuado em 2015. Esta quinta-feira, as yields das obrigações dos quatro periféricos (Espanha, Itália, Irlanda e Portugal) no prazo a 10 anos estão em queda, mais acentuada para as obrigações espanholas e italianas. Pelas 10h30, as yields das Obrigações do Tesouro português (OT) naquela maturidade estavam a descer para 1,68%. O mínimo histórico registado está em 1,51% verificado a 12 de março.

 

Janela de oportunidade em situação anormal

Os analistas financeiros sublinham a situação histórica "anormal" daqueles quatro periféricos se estarem a financiar, em termos nominais, a taxas inferiores aos títulos do Tesouro norte-americano ou britânicos e mesmo de economias com triplo A de rating atribuído pelas três principais agências de notação. Com uma yield de 1,69%, as OT a 10 anos financiam-se abaixo dos títulos norte-americanos (1,94%) e de economias de triplo A como Singapura e Austrália.

A dívida obrigacionista portuguesa é considerada especulativa pelas três principais agências de notação que tomaram a decisão de a classificar como "lixo financeiro" em julho de 2011 (Moody's), em novembro desse ano (Fitch) e em janeiro de 2012 (Standard & Poor's), e que, ainda, não a graduaram. A S&P deverá pronunciar-se sobre a notação da dívida portuguesa na sexta-feira. A atual notação é de BB com menção estável, dois níveis abaixo do limiar de dívida não especulativa.

Nos casos das obrigações espanholas, italianas e irlandesas naquela maturidade de referência, a yields são inferiores às registadas para os EUA e Reino Unido e para quatro países de triplo A (Austrália, Canadá, Noruega e Singapura).

Em termos reais, tomando em linha de conta as taxas de inflação positiva ou negativa em cada caso, a situação é distinta da referida.

As operações de mercado não convencionais pelo BCE saldam-se até 13 de março por 56,9 mil milhões de euros em compras de covered bonds, 3,75 mil milhões em aquisições de ABS e 9,75 mil milhões em compras de dívida pública no mercado secundário (o último programa lançado a 9 de março).

As conclusões da missão do Fundo Monetário Internacional de avaliação da economia portuguesa, ao abrigo do Artigo 4, referiam, esta semana, que o país - tal como os restantes periféricos - atravessam um período em que se verifica "a confluência de fatores externos positivos que fornecem uma excelente janela de oportunidade". A trilogia desses fatores é formada por um ambiente altamente favorável na política monetária (taxas diretoras de juros próximas de 0% e programas de compra de dívida pública e privada), uma taxa de câmbio mais favorável para o euro (chegou a cotar 1,045 dólares a 15 de março, numa trajetória para a paridade ainda este ano, segundo alguns analistas) e preços do barril de petróleo baixos (55,44 dólares na variedade Brent para entrega em maio, tendo já descido para 50,36 dólares a 20 de janeiro).

A exceção a este panorama é a Grécia, cujo risco de saída do euro e de um evento de crédito (incumprimento pontual de dívida) nos próximos meses tem aumentado. As yields das obrigações gregas a 10 anos subiram esta quinta-feira para 11,5%.