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Há contágio grego? Juros dos periféricos em alta

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FOTO REUTERS

Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos subiram para 1,92%. Foi uma sessão em que a tendência altista envolveu todos os periféricos, com destaque para a dívida grega. Em contraponto, os juros da dívida alemã naquele prazo fixaram novo mínimo próximo de 0%.

O disparo das yields das obrigações gregas arrastou esta quinta-feira os outros periféricos da zona euro, mais acentuadamente Portugal e Itália.

A sessão no mercado secundário da dívida soberana ficou esta quinta-feira marcada por uma alta das yields dos periféricos do euro no prazo de referência, a 10 anos, com destaque para as obrigações gregas, portuguesas e italianas, que subiram 54, 21 e 13 pontos base respetivamente, segundo dados da Datosmacro. As yields das obrigações espanholas naquela maturidade subiram oito pontos base e no caso das obrigações irlandesas o aumento foi de apenas 1 ponto base. A Irlanda, entre os cinco periféricos do euro, é já um caso à parte, com as yields a 10 anos abaixo de 0,7%.

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) na maturidade a 10 anos fecharam em 1,92%, um valor que já não se registava desde o início de março, antes do arranque do programa de compras de dívida pública no mercado secundário pelo Banco Central Europeu. O mínimo histórico registado neste prazo está em 1,51% durante a sessão de 14 de março. 

Risco de incumprimento na Grécia perturba o mercado

A situação crítica grega, com a multiplicação de avisos sobre a probabilidade de um evento de crédito - um incumprimento pontual em juros de obrigações ou nos pagamentos de juros e tranches ao Fundo Monetário Internacional - e a sinalização pelas agências de rating de uma situação extremamente especulativa e de risco substancial, está a provocar, esta semana, um disparo das yields das obrigações gregas.

No prazo a 10 anos, as yields fecharam em 12,7% e chegaram a um máximo de 13,3% durante o dia. A 2 anos, o custo do financiamento subiu para 27,06% e durante o dia chegou a 28,1%. O prémio de risco aumentou 55 pontos base desde o fecho de quarta-feira e 350 pontos base desde início do ano. O diferencial no custo do financiamento a 10 anos da dívida grega em relação à dívida alemã é, agora, de 1258 pontos base (o equivalente a 12,58 pontos percentuais). O preço de segurar a dívida grega a 5 anos disparou para 3893,92 pontos base, uma subida de quase 30% em relação ao fecho de quarta-feira. Este nível de custo dos credit default swaps (acrónimo cds) coloca a Grécia no "clube" restrito das economias com mais elevada probabilidade de bancarrota, incluindo Venezuela e Ucrânia.

A evolução das yields das obrigações de Portugal, Itália e Espanha nos próximos dias permitirá avaliar se está a sentir-se "contágio" da crise grega com a continuação da trajetória de subida. 

Clube dos juros negativos amplia-se

Em contraponto, as economias do centro do euro registam uma continuação de descidas das yields para mínimos históricos e aumenta o número de maturidades das obrigações com yields negativas nesse emissores. As obrigações alemãs a 10 anos fixaram esta quinta-feira um novo mínimo histórico de 0,085%. Esta descida provocou, automaticamente, a subida do prémio de risco nos periféricos.

O "clube" dos membros do euro com yields negativas em dívida obrigacionista acima de 12 meses inclui sete economias. No caso da Alemanha, as yields negativas estendem-se até ao prazo de 8 anos e para a Áustria até à maturidade de 7 anos. A Finlândia e a Holanda registam yields negativas até 6 anos e a França e a Bélgica até 5 anos. A Irlanda regista yields negativas a 2 e 3 anos.

Em valores de fecho, as obrigações portuguesas, espanholas e italianas não registam yields negativas, nem mesmo no prazo a 2 anos. Hoje fecharam em 0,141% para as Obrigações do Tesouro português (OT), 0,089% para as obrigações espanholas (OE) e 0,189% para as obrigações italianas (BTP). A comparação tem de ser cautelosa, pois a maturidade exata é diferente neste benchmark a 2 anos: outubro de 2016 para a linha de OT, janeiro de 2017 para as OE e maio de 2017 para as BTP.