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Grécia vai para referendo se negociações entrarem num impasse

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Alexis Tsipras admitiu em entrevista ao programa "Ston Eniko" do canal Star que o "povo decidirá, obviamente não por eleições" se não houver hipótese de acordo com os credores oficiais.

"Se eu me encontrar numa posição difícil, com um acordo que me empurra para fora dos limites [que o governo grego colocou], o povo decidirá, obviamente não por eleições [legislativas antecipadas]", referiu esta segunda-feira o primeiro-ministro helénico Alexis Tsipras em entrevista ao programa "Ston Eniko" do canal privado Star TV. Ficou subentendido que a opção será o referendo. No entanto, acrescentou, que se "trata de um cenário hipotético", reafirmando o seu otimismo de que um acordo com os credores oficiais será alcançado.

Trata-se da primeira entrevista televisiva que Tsipras deu depois de ganhar as eleições a 25 de janeiro. Envolvendo perguntas de espetadores sobre os mais diversos temas da crise grega, a entrevista já dura há quase três horas.

O primeiro-ministro não detalhou que questão, ou questões, colocaria no referendo. "A Constituição grega permite referendos sobre questões de importância nacional, mas não sobre temas orçamentais. Tsipras insistiu  que, segundo a Constituição, o poderá fazer, ainda que não tenha elaborado sobre o que poderia perguntar", refere-nos Nick Malkoutzis, editor-adjunto da edição inglesa do jornal grego "Kathimerini". Do ponto de vista prático, um referendo deste tipo dificilmente poderá ser feito sem a imposição de controlo de capitais e um feriado bancário, o que prejudicará o governo mesmo se ganhar o referendo, conclui o especialista grego.

Esta segunda-feira acabou por ser um dia politicamente movimentado em Atenas com o governo grego a anunciar uma mexida na coordenação política e técnica das negociações com os credores oficiais. O ministro-adjunto Euclid Tsakalotos, responsável nos Negócios Estrangeiros pelas Relações Económicas Internacionais, e o presidente do conselho de peritos económicos Giorgos Houlianakis, assumiram respetivamente a coordenação política e técnica das equipas de negociação sob a superintendência global do ministro das Finanças Yanis Varoufakis. Tsakalotos já por diversas vezes acompanhou Varoufakis nas digressões europeias de negociações nos últimos três meses.

 

Acusação a Draghi e elogio a Merkel

Os mercados financeiros na Europa interpretaram a "despromoção" de Varoufakis como um sinal de maior probabilidade de compromisso nas negociações em curso. As yields das obrigações gregas e da dívida obrigacionista dos restantes periféricos desceram. A Bolsa de Atenas fechou no positivo pela quarta sessão consecutiva e o índice geral liderou os ganhos na segunda-feira à escala mundial com uma valorização de 4,37%. O índice bolsista europeu MSCI ganhou 1,16% esta segunda-feira. 

As sondagens divulgadas esta segunda-feira revelam que o referendo recolhe o apoio de 27% dos inquiridos pela Alco para o jornal "Protothema" e 32,7% dos inquiridos pela Kappa para o jornal "To Vima". A opção por eleições legislativas antecipadas recolhe apenas 15% e 18,7% nas duas sondagens. Na primeira sondagem 51% acham que o governo atual deve gerir a crise e na segunda 44,2% são a favor de um governo de consenso nacional.

Nesta longa entrevista, Tsipras considerou um erro nas reuniões do Eurogrupo não se ter obrigado a passar ao papel promessas "orais"  e aproveitou para acusar o presidente daquele órgão, Jeroen Dijsselbloem, e o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, de faltarem à palavra dada. Aproveitou para elogiar a chanceler Angela Merkel: "Agora que a conheci pessoalmente, posso afirmar que não é certamente coincidência o facto de ser chanceler há muito tempo. É diligente, culta e versada na cultura alemã que pretende que o outro diga verdade e não minta". Noutro momento reforçou a ideia de que a chanceler pretende que se chegue a uma solução que saia do impasse.