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Grécia sem dinheiro a partir de 20 de abril

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FOTO ARIS MESSINIS/AFP/Getty Images

Os cofres do Tesouro helénico esvaziam-se daqui a menos de um mês, segundo uma fonte confidenciou à Reuters.

O Tesouro grego ficará sem dinheiro a 20 de abril se a Grécia não receber entretanto uma injeção de euros por parte dos credores oficiais, adianta a Reuters, citando uma fonte relacionada com o tema. A mesma fonte referiu que, até aquela data, o governo helénico pode gerir as finanças públicas usando os recursos financeiros de entidades públicas e adiando pagamentos a fornedores, como tem feito ultimamente.

O site espanhol "El Economista" antecipa para 8 de abril o dia crítico, referindo "informações da Comissão Europeia".

Em março, o Tesouro grego amortizou, com alguma engenharia financeira, mais de 6 mil milhões de euros em obrigações, bilhetes do Tesouro (a maior fatia) e empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) para evitar um evento de crédito, um incumprimento de dívida. Em abril conta com mais de 3 mil milhões de euros de amortizações e juros, incluindo uma nova tranche de 448 milhões de euros ao FMI que vence a 9 de abril e 2,4 mil milhões de euros em bilhetes do Tesouro que têm de ser refinanciados a 14 e 17 de abril. Em março, o Tesouro grego amortizou em tranches 1,5 mil milhões de euros de dívida ao FMI.

Segundo a Bloomberg, o défice de caixa em março poderá atingir os 3,5 mil milhões de euros e no segundo trimestre poderá subir para 5,7 mil milhões de euros.

A situação agravou-se com a restrição que o Banco Central Europeu (BCE) terá imposto aos grandes bancos gregos no sentido de não aumentarem a sua exposiçao à dívida pública helénica. Segundo o jornal "The Wall Street Journal", o BCE terá enviado esta terça-feira uma carta aos maiores bancos do país para não participarem mais em emissões de Bilhetes do Tesouro aumentando a sua carteira com novos títulos. Poderão renovar a carteira que já detêm, mas não a aumentar. Estas emissões de muito curto prazo são, atualmente, a única via de financiamento no mercado por parte do Tesouro grego, e estão sujeitas a um teto imposto pelo BCE.

Para enfrentar esta situação, o governo grego está a contar com entradas potenciais de liquidez por parte dos credores oficiais, que não dizem ainda respeito à tranche do resgate em atraso desde o ano passado, segundo adiantou a fonte à Reuters.

À espera de €3 mil milhões

Se o Eurogrupo der luz verde nos próximos dias, eventualmente na próxima semana depois da apresentação "o mais tardar" até segunda-feira da lista completa de medidas específicas de reformas, o governo grego poderia ver entrar, a curto prazo, nos cofres os lucros de 1,9 mil milhões de euros que lhe são devidos da rentabilidade em 2014 das obrigações gregas detidas pelo sistema de bancos centrais da zona euro e ainda 1,2 mil milhões de euros de saldo não utilizado do fundo de resgate bancário que foi retirado do fundo grego por decisão do Eurogrupo a 20 de fevereiro. Este montante foi retirado do Fundo Helénico de Estabilidade Financeira para o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF). A decisão sobre este montante poderá ser tomada amanhã na reunião do Grupo de Trabalho do Euro (que prepara as reuniões do Eurogrupo), segundo os jornais gregos.

A tranche do resgate em atraso desde o ano passado soma 7,2 mil milhões de euros, em que 1,8 mil milhões é o último desembolso por parte do FEEF, que pagou 2 mil milhões de euros em julho e agosto de 2014. Desde novembro de 2014 que está por concluir o 5º exame do segundo plano de resgate. Segundo alguns jornais gregos, esse exame já não se concluirá sendo substituído pela apreciação a breve trecho da lista de reformas e pelo acompanhamento da sua conretização até final de abril.

A nova lista de reformas estruturais completa e específica foi um compromisso do primeiro-ministro Alexis Tsipras na minicimeira que realizou em Bruxelas na semana passada com a chanceler alemã, o presidente francês e os presidentes da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, a que assistiram os presidentes do Eurogrupo e do Conselho Europeu, que funcionou como anfitrião.

Uma delegação grega constituída pelo vice-primeiro-ministro Yannis Dragasakis e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros Nikos Kotzias encontra-se em Pequim até sábado para discutir investimentos e potenciais empréstimos por parte da China.

Fruto da expetativa positiva dos mercados financeiros em relação à distensão ocorrida depois do encontro em Berlim entre o primeiro-ministro grego e a chanceler alemã na segunda-feira, as yields das obrigações gregas têm estado em baixa. Esta terça-feira, desceram 66 pontos base em relação ao fecho de segunda-feira e 74 pontos base em relação ao fecho de sexta-feira passada no prazo de referência, a 10 anos. No entanto, as yields registam, ainda, níveis muito elevados, situando-se, ao final da tarde de hoje, em 10,91%, naquela maturidade. O pico recente registou-se a 19 de março, subindo para mais de 12%, antes de se conhecerem os resultados da minicimeira de Bruxelas que se realizaria naquele dia à noite.

A Bolsa de Atenas fechou esta terça-feira a valorizar 3,66%. É a terceira sessão consecutiva no verde.