Siga-nos

Perfil

Economia

Dívida

Grécia. Possibilidade de acordo provisório até final de abril

  • 333

O encontro privado em Bruxelas, esta quinta-feira, entre Alexis Tsipras e Angela Merkel teria aberto uma janela de compromisso que acalmou o mercado da dívida. Divergências mantêm-se em áreas chave, mas há convergência em privatizações e na meta do excedente primário.

A reunião privada entre o primeiro-ministro helénico Alexis Tsipras e a chanceler alemã Angela Merkel à margem da cimeira europeia realizada esta quinta-feira em Bruxelas teria aberto a janela para um "acordo provisório" até final do mês, refere o jornal grego "Protothema". A chanceler frisou, após o encontro, que "tudo tem de ser feito para evitar" a insolvência do governo grego e considerou "construtiva" a reunião.

Segundo a Bloomberg, teria havido convergência em torno dos temas das privatizações (onde o ministério das Finanças grego já definiu uma meta de 1,5 mil milhões de euros para este ano, matéria onde os credores oficiais pressionam para uma meta mais ambiciosa) e das metas para o excedente primário orçamental, que apontariam para 1,5% do PIB em 2015 (um cavalo de batalha do ministro das Finanças Yanis Varoufakis) e para um valor consensual, não adiantado, para o ano seguinte.

Os pontos de divergência continuam nos mesmos três terrenos onde o governo de Atenas não aceita "medidas recessivas" (vulgo austeridade) e onde se fixaram linhas vermelhas políticas em que a aproximação técnica  nas reuniões do Grupo de Bruxelas é difícil - reforma laboral, reforma do sistema de segurança social e IVA.

Os analistas não preveem qualquer acordo global sobre a lista de reformas proposta por Varoufakis na reunião do Eurogrupo que se realiza amanhã em Riga. Com a perspetiva de um "acordo provisório", os jornais gregos admitem a sua concretização numa reunião extraordinária do Eurogrupo ainda até final do mês, o que teria tido a concordância da chanceler alemã. O acordo provisório significaria que os pontos de divergência prosseguiriam em debate ao longo de maio e eventualmente até final da extensão do resgate em junho.

O austríaco Thomas Wieser, presidente do Grupo de Trabalho do Eurogrupo (que prepara as reuniões desse órgão dos ministros das Finanças da zona euro), já admitiu, esta semana, que o Tesouro grego se consegue aguentar, recorrendo a medidas de emergência, até final de junho, ou seja, que consegue pagar os cheques ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em maio e junho num total de 3 mil milhões de euros. A dor de cabeça vem a seguir se as tranches pendentes do resgate europeu e do FMI não fluirem para Atenas e se o Banco Central Europeu não incluir a dívida grega (que está classificada como de risco substancial de default) no âmbito do programa em curso de compra de dívida pública no mercado secundário.

Entre as medidas de emergência, será votado amanhã no Parlamento um decreto do governo centralizando os ativos de capital da administração pública (com algumas exceções) numa conta especial do Banco Central grego. O decreto foi considerado pelo líder da oposição, o ex-primeiro-ministro Antonis Samaras, como "inconstitucional".

 

Descida dos juros da dívida

Fruto da gestão destas expetativas, as yields das obrigações gregas no prazo de referência, a 10 anos, têm estado em trajetória descendente nas duas últimas sessões no mercado secundário da dívida soberana, tendo fechado esta quinta-feira em 12,26%, uma redução de 45 pontos base em relação ao fecho de quarta-feira e de 134 pontos base face ao fecho de terça-feira, quando atingiram um pico de 13,59%, o nível mais alto desde março de 2013. O custo de segurar a dívida grega a 5 anos contra um evento de incumprimento desceu de perto de 4000 pontos base - o que colocava a Grécia muito perto da Venezuela, o líder do "clube" da probabilidade de bancarrota - no dia 21 para 3266,14 pontos base registados esta quinta-feira, segundo a S&P Capital IQ.

A descida grega nas duas últimas sessões foi acompanhada por uma descida geral das yields de três periféricos do euro, Espanha, Itália e Portugal, com destaque para este último. As yields das Obrigações do Tesouro português fecharam esta quinta-feira em 1,99%, uma redução de 14 pontos base em relação ao fecho de terça-feira em 2,13%, um nível que já não se verificava desde final de fevereiro.