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Grécia: juros da dívida sobem e Bolsa de Atenas abre em queda

A uma hora de se saber se o candidato presidencial apresentado pelo governo consegue pelo menos 180 votos no Parlamento helénico, os sinais do mercado financeiro são negativos. Uma terceira volta a 29 de dezembro recolhe alta probabilidade.

As yields da dívida grega a 10 anos subiram para 8,47% pelas 9h50, uma subida de 12 pontos base em relação ao fecho de segunda-feira. A Bolsa de Atenas abriu no vermelho, com o índice ASE a cair 2,5% pelas 9h50.

Enquanto nos restantes países periféricos da zona euro, a expetativa de que o Banco Central Europeu no início de 2015 avance para um programa de estímulos monetários ainda mais agressivo (com a probabilidade de inclusão de compra de dívida soberana dos membros do euro) funciona como impulsionador da descida das yields para mínimos históricos, no caso da Grécia a crise política interna, agravada desde a convocação de eleições presidenciais antecipadas por iniciativa do governo, é o "motor" da penalização do custo de financiamento da dívida soberana e da derrocada da bolsa.

O Banco da Grécia, banco central helénico pertencente ao sistema do euro, informou que a fuga de capitais de não residentes, que venderam as suas posições em obrigações e bilhetes do Tesouro gregos, ascendeu a 1,7 mil milhões de euros em outubro. A posição foi ocupada por investidores residentes, e particularmente pelos bancos locais.

Esta terça-feira realiza-se no Parlamento grego a segunda volta das eleições presidenciais, continuando a haver apenas um candidato único apresentado pelo governo de coligação chefiado por Antonis Samaras.  O candidato Stavros Dimas recolheu apenas 160 votos a favor na primeira volta, 40 votos menos do que o limiar necessário para ser eleito. Na segunda volta, o limiar de eleição é o mesmo, 200 votos em 300 deputados, o que se afigura, para todos os analistas, como missão impossível, devendo ser convocada uma terceira volta para 29 de dezembro.

A expetativa dos analistas políticos e financeiros é saber se o candidato do governo consegue passar dos 160 (mais 5 votos do que o somatório das duas bancadas que apoiam o governo) para os 180 votos a favor, o que seria um sinal da possibilidade de ser eleito à terceira volta, e, desse modo, evitar a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições legislativas antecipadas. Os analistas gregos apontam para 163 a 169 votos na votação desta manhã.

No sentido de captar votos para o candidato Dimas, o governo de Samaras ofereceu no domingo aos deputados independentes a possibilidade de integrarem um governo remodelado em janeiro e de serem antecipadas as eleições gerais de junho de 2016 para o final de 2015.