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Eurogrupo fecha a porta a acordo provisório com a Grécia

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Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, e Jeroen Dijsselbloem, ministro das Finanças holandês e presidente do Eurogrupo, à conversa durante a reunião desta manhã em Riga, Letónia

Ints Kalnins/Reuters

O impasse manteve-se na reunião realizada esta sexta-feira de manhã pelos ministros das Finanças do euro em Riga. Juros de quatro periféricos regressam às subidas no mercado secundário.

Na reunião desta sexta-feira em Riga, na Letónia, o Eurogrupo (órgão de reunião dos ministros das Finanças da zona euro) adiou para o próximo encontro a 11 de maio a reapreciação do andamento das negociações no Grupo de Bruxelas sobre a lista de reformas da Grécia. Fica sem efeito a meta de final do mês de abril para consolidação da lista de reformas a implementar pela Grécia.

O presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem, fechou hoje a porta a um acordo provisório com o governo grego até final de abril, um acordo parcial sobre as reformas nas quais havia convergência entre as partes, com eventual desembolso parcial das tranches do resgate em atraso desde o verão de 2014. As reformas em que as divergências se mantêm, e cujos pontos estão identificados, seriam discutidas até final de junho, o limite da extensão do programa de resgate.

Esta possibilidade de um acordo interino foi adiantada pelo jornal grego "Protothema" na sequência dos encontros de Alexis Tsipras, primeiro-ministro helénico, com a chanceler alemã Angela Merkel, à margem da cimeira europeia extraordinária sobre a crise da imigração no Mediterrâneo que se realizou esta semana em Bruxelas.

A Bloomberg deu conta que o ambiente na reunião do Eurogrupo ficou toldado com diversos ataques ao ministro grego Yanis Varoufakis acusado por outros participantes de "amador e jogador". Os jornais gregos dão conta, também, do descontentamento de ministros da zona euro com as negociações políticas que Tsipras tem desenvolvido diretamente junto de outros responsáveis europeus, como Merkel, dentro da estratégia de que as divergências que restam não são solúveis no quadro técnico e que é necessária uma solução política de alto nível.

As yields das obrigações dos quatro periféricos - Espanha, Grécia, Itália e Portugal - regressaram à trajetória de subida no mercado secundário da dívida soberana. As yields das obrigações gregas a 10 anos subiram, ao princípio da tarde, para mais de 12,5%, um aumento superior a 30 pontos base em relação ao fecho de ontem. As yields das Obrigações do Tesouro português, naquela maturidade de referência, mantêm-se no patamar dos 2% ou muito perto.

Em maio, o Tesouro grego tem de refinanciar 2,8 mil milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (dívida de muito curto prazo) a 8 e 15 de maio e de enviar dois cheques ao Fundo Monetário Internacional de 201 milhões de euros de juros até 6 de maio e de 766 milhões de euros relativos ao vencimento de uma tranche a 12 de maio, o dia seguinte à reunião do Eurogrupo. O presidente do Grupo de Trabalho do Eurogrupo (que prepara as reuniões dos ministros das Finanças do euro), o austríaco Thomas Wieser, disse esta semana que " a situação de liquidez do governo grego está um pouco apertada, mas deve ser suficiente até junho", ou seja que Atenas conseguiria mobilizar recursos próprios até final de junho, mas os mercados financeiros desconfiam.

A 6 de maio o Banco Central Europeu (BCE) realiza em Frankfurt uma reunião que não tem na agenda decisões de política monetária, mas onde poderão ser discutidas medidas em relação ao colateral que os bancos gregos apresentam no acesso à linha de emergência de liquidez facilitada pelo Banco Central grego e autorizada pelo BCE. Os técnicos do BCE poderão ter já uma proposta de hair cuts a aplicar ao colateral apresentado pela banca grega.