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Efeito BCE. Juros da dívida em novos mínimos históricos

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Depois do anúncio por Mario Draghi que as compras de dívida pública  da zona euro começam na segunda-feira, os juros das obrigações dos periféricos do euro estão em queda. Juros da dívida portuguesa a 10 anos abaixo de 1,7% pela primeira vez.

As yields das Obrigações do Tesouro português a 10 anos já desceram esta sexta-feira no mercado secundário para 1,665%, pelas 7h55, um novo mínimo histórico, depois de ontem, durante a sessão, já terem registado um mínimo de 1,763%. Pelas 9h10 registava 1,69%, uma descida de 10 pontos base em relação ao fecho de quinta-feira.

O movimento de queda das yields é generalizado aos periféricos do euro. A descida para novos mínimos históricos regista-se, também, para a dívida a 10 anos espanhola, italiana e irlandesa. As yields da dívida grega reestruturada naquele prazo de referência estão a descer 13 pontos base, mas continuam acima de 9,5%.

Na frente cambial, o euro continua a descer para mínimos face ao dólar desde o verão de 2003, registando, agora, 1,0982 dólares, abaixo do fecho de quinta-feira em 1,1031 dólares e inferior ao mínimo de 1,0986 dólares registado duranta a sessão de ontem.

É o primeiro efeito significativo nos mercados da dívida soberana do anúncio na quinta-feira à tarde por Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, de que o programa específico de compra de dívida pública (batizado com o acrónimo em inglês PSPP) arranca na próxima segunda-feira.

Na conferência de imprensa que se seguiu à reunião de quinta-feira do BCE em Nicósia, capital de Chipre, Mario Draghi anunciou que o programa alargado de compra de dívida pública (com maturidades entre 2 e 30 anos) e privada começará dia 9 de março, com um objetivo, pelo menos até setembro de 2016, de 60 mil milhões de euros por mês.

As normas do programa específico de compra de dívida pública no mercado secundário admitem a compra de dívida soberana da zona euro no mercado secundário com yields negativas, mas fixam como limite máximo -0,2%, igual à taxa de remuneração negativa dos depósitos no BCE. De momento, apenas as yields das obrigações alemãs a 2 anos registam -0,201%. Com yields negativas em obrigações entre 2 e 4 anos incluem-se Bélgica, Finlândia, França e Holanda; entre 2 e 5 anos regista-se a Áustria; e entre 2 e 6 anos a Alemanha.

 

Grécia excluída

A dívida grega inclui linhas obrigacionistas de 2 a 30 anos, mas até à amortização em julho e agosto de obrigações no valor de 6,7 mil milhões de euros em carteira no BCE (adquiridas no mercado secundário aquando do programa SMP que vigorou entre 2010 e 2012), Draghi salientou que não será examinada a possibilidade de aquisição desses títulos. A Grécia é o único país periférico do euro excluído, por ora, do programa.

O vice-primeiro-ministro grego Yiannis Dragasakis disse ao canal ANT 1 que "o acordo alcançado [com o Eurogrupo] não está a ser refletido totalmente nas reações do BCE", apesar de salientar "algumas mensagens positivas de Draghi" em relação ao sistema bancário helénico que continua com o canal de financiamento de liquidez de emergência aberto junto do banco central grego. Regressado de Nicósia, o governador do banco central grego, Yiannis Stournaras, reuniu com o primeiro-ministro Alexis Tsipras, com o vice-primeiro-ministro e com o ministro das Finanças Yanis Varoufakis. Stournaras foi anterior responsável pela pasta das Finanças no governo anterior de Antonis Samaras.

Além do arranque do programa de compra de dívida pública pelo BCE no dia 9 de março,  o Eurogrupo (órgão de reunião dos 19 ministros das Finanças da zona euro) apreciará a proposta de 6 medidas imediatas que o governo grego pretende implementar e discutir e aprovar no Parlamento grego. As 6 medidas imediatas baseiam-se na "lista Varoufakis" apresentada ao Eurogrupo e que serve de guião para as discussões de especificação de reformas até final de abril.