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Dívida

Draghi e Bernanke dão bónus de 6 biliões às bolsas

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Desde as declarações de Mário Draghi, presidente do BCE, em Londres a 26 de julho, que as bolsas mundiais já ganharam 12% em capitalização. O lançamento de um novo programa de injeção de liquidez por Ben Bernanke, presidente da Fed, na quinta-feira, foi a cereja em cima do bolo.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

As bolsas mundiais já ganharam 6 biliões de dólares (mais de 4500 mil milhões de euros, ao câmbio atual) em capitalização bolsista desde que Mário Draghi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), pré-anunciou numa conferência em Londres, a 26 de julho, a sua "bazuca" de intervenção no mercado secundário da dívida soberana (que viria a ser batizada de programa OMT na reunião do banco central em 6 de setembro).

A valorização foi de 12%, segundo o índice mundial MSCI World Index, entre o fecho de 25 de julho (dia anterior à intervenção de Draghi em Londres) e o fecho de 14 de setembro. Ao que os mercados financeiro alcunharam de "efeito Draghi" somou-se, depois, o "efeito Bernanke".

A expetativa dos investidores em relação a um terceiro programa de injeção de liquidez pela Reserva Federal norte-americana (Fed) acentuou-se desde a intervenção do presidente do banco central dos EUA no fórum de Jackson Hole em 31 de agosto, onde defendeu a bondade e eficácia de medidas "não convencionais" de política monetária. A divulgação do lançamento de um QE3 - acrónimo para um programa de quantitative easing, ou "alívio quantitativo" - na reunião mensal da Fed em 13 de setembro foi a cereja em cima do bolo.

Mas enquanto o programa OMT do BCE é, por enquanto, apenas uma política de "comunicação" (sem qualquer concretização até à data), o QE3 lançado por Bernanke iniciou-se, logo, a 14 de setembro e promete injetar 40 mil milhões de dólares por mês, o que já foi considerado um tsunami de liquidez. O efeito imediato do anúncio do QE3 por Bernanke provocou um aumento de 1,6% na capitalização bolsista mundial na sexta-feira.

Choque no euro de 7,5%

Em contrapartida, o euro valorizou-se em relação ao dólar, desde 25 de julho, em mais de 7,5%. A competitividade externa da zona euro sofreu um choque. Valendo 1,22 dólares a 25 de julho "saltou" para mais de 1,312 no fecho a 14 de setembro.