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Draghi aperta o laço à Grécia

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FOTO EMMANUEL DUNAND/AFP/Getty Images

Nova carta do BCE indica aos bancos gregos para não participarem mais na compra de dívida pública helénica de muito curto prazo e para inclusive reduzirem a exposição que têm.

O Banco Central Europeu (BCE) enviou esta semana uma nova carta aos bancos da Grécia indicando que não participem na aquisição de Bilhetes do Tesouro helénico (BT, dívida de muito curto prazo) em novas emissões e que inclusive reduzam a exposição que têm, segundo o jornal grego "Protothema".

A restrição dos bancos gregos participarem nesta única via de ida aos mercados de capitais por parte do Tesouro grego e de inclusive não refinanciarem BT que tenham em carteira, de modo a reduzirem a exposição, implica mais um aperto no laço ao financiamento grego para enfrentar as necessidades que se colocam no resto de abril e em maio. A indicação estende-se a empréstimos da banca a instituições públicas.

O Tesouro grego tem de refinanciar 2,4 mil milhões de euros em BT entre 14 e 17 de abril e pagar mais cerca de 290 milhões de euros (segundo outros cálculos o montante será de 400 milhões) em juros de obrigações entre 14 e 20 de abril.

No entanto, os especialistas do banco HSBC inclinam-se para que o verdadeiro problema rebente em maio. A 8 e 15 desse mês, o Tesouro terá de refinanciar mais 2,8 mil milhões de euros em BT e entre 1 e 15 terá de passar mais dois cheques ao FMI: um de 200 milhões de euros de juros e outro de 763 milhões de euros relativo a mais uma tranche do empréstimo que vence. O analista grego Yannis Koutsomitis, entrevistado esta semana pelo Expresso, concorda com o banco britânico. Diz que, até maio, o governo grego consegue mobilizar reservas de caixa em sectores da administração não central e em empresas públicas.

A banca grega viu reforçado, na quarta-feira, em €1,2 mil milhões, o teto de financiamento da linha de liquidez de emergência a que podem ocorrer junto do Banco Central grego. Uma cortesia do BCE que tem mantido, ainda que a conta-gotas, a sobrevivência da banca grega que desde início do ano já registou uma fuga de depósitos na ordem de €22,8 mil milhões, ainda que esteja a desacelerar (12,2 mil milhões em janeiro, 7,6 mil milhões em fevereiro, 3 mil milhões em março). Mas o BCE recomenda que não usem a liquidez de emergência para participarem em emissões de BT.

 

Abril

14: refinanciamento de BT de €1,4 mil milhões e pagamento de €12,3 milhões em juros de obrigações

15: reunião do BCE

17: refinanciamento de BT de mil milhões de euros e pagamento de €193,7 milhões em juros de obrigações

20: pagamento de juros de obrigações num montante de €79,9 milhões e limite para o  ministro Varoufakis reformular a lista de medidas apresentada

21: reunião do Grupo de Trabalho do Euro

24: reunião do Eurogrupo

29: possibilidade de reunião extraordinária do Eurogrupo

30: limite para a consolidação da lista de reformas grega

 

Maio

1: pagamento de €200 milhões em juros ao FMI

8: refinanciamento de €1,4 mil milhões em BT

11: reunião do Eurogrupo

12: pagamento de uma tranche de €763 milhões ao FMI

15: refinanciamento de €1,4 mil milhões em BT