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Compras de Draghi. Dívidas alemã e francesa mais beneficiadas

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O sistema de bancos centrais do euro adquiriu 3,2 mil milhões de euros em dívida pública a 9 de março, no primeiro dia do programa lançado pelo presidente do BCE, Mario Draghi

BORISÂ ROESSLER/EPA

Os juros da dívida alemã e francesa a 10 anos são os que descem mais desde que se iniciou o programa do BCE de compra de dívida pública da zona euro. Custo de financiamento da dívida alemã a 30 anos em mínimo histórico.

O programa do  Banco Central Europeu (BCE) de aquisição no mercado secundário de títulos de dívida pública emitida pelos países membros da zona euro entre dois e 30 anos entrou no terceiro dia. A Grécia foi excluída, por ora, deste programa.

Na maturidade de referência, a 10 anos, as maiores descidas nas yields desde o fecho da semana passada até às 9h desta quarta-feira registam-se para as obrigações francesas, que caíram 20 pontos base, e para as obrigações alemãs, que desceram 17 pontos base.  

A seguir situam-se as obrigações irlandesas e italianas a 10 anos cujas yields, no período referido, desceram 15 e 13 pontos base respetivamente. As yields das obrigações italianas nesta maturidade de referência são, agora, mais baixas do que as relativas às obrigações espanholas. As yields que desceram menos, entre o periféricos, foram as destas últimas.

As yields das obrigações irlandesas a 10 anos registam 0,72%, sendo as únicas, entre os países periféricos do euro, que se situam abaixo de 1% no mercado secundário. O custo de financiamento das dívidas espanhola e italiana naquele prazo continuam acima de 1%; registam hoje 1,24% e 1,21% respetivamente.

Novo mínimo histórico para a dívida portuguesa a 10 anos

A descida no caso das yields das Obrigações do Tesouro português (OT) naquela maturidade de referência somou 11 pontos base desde sexta-feira e registam agora 1,66%, um novo mínimo histórico. No prazo a 20 anos, as yields das OT desceram no mercado secundário de 2,4% para 2,32% entre 6 e 10 de março.

Na dívida de longo prazo entre 15 e 30 anos, a maior descida de yields entre 6 de março e o fecho de 10 de março registou-se com a dívida alemã a 30 anos que fixou na terça-feira um mínimo histórico de 0,71%, com uma descida de 24 pontos base desde sexta-feira.

Com yields abaixo de 1% nos prazos de 15, 20 e 30 anos incluíam-se, no fecho de terça-feira, seis emissores: Alemanha nas três maturidades, Áustria a 15 anos, Bélgica a 15 e 20 anos; Finlândia a 15 anos, França a 15 e 20 anos; e Holanda a 15 e 30 anos.

Os únicos dois membros do euro que se financiam abaixo de 1% no prazo a 30 anos são a Alemanha, já referida, e a Holanda, que fechou ontem com as yields naquela maturidade de muito longo prazo em 0,89%.

Na sessão de terça-feira, as maiores descidas, em percentagem, nas yields de obrigações de membros do euro, entre 2 e 30 anos (maturidades abrangidas pelo programa do BCE), registaram-se para o prazo a 6 anos nas obrigações holandesas (redução de 300% em yields que estão em terreno negativo), para o prazo a 2 anos nas Obrigações do Tesouro português (redução de 38,4%) e para o prazo a 6 anos nas obrigações finlandesas a 6 anos (redução de 31%).

Segundo o índice Bloomberg de rentabilidade a 52 semanas das dívidas obrigacionistas dos membros do euro, a maior subida desde o início do programa de compras do BCE verificou-se com a dívida alemã cujo retorno anual subiu de 10,07% para 11,39%, ou seja mais de 1 ponto percentual entre 6 e 10 de março.

Outras subidas significativas registaram-se com o retorno anual da dívida irlandesa que subiu de 12,41% para 13,11% (mais de 1 ponto percentual) e da italiana que subiu de 16,09% para 16,63% (mais de meio ponto percentual).

A rentabilidade anual da dívida obrigacionista portuguesa continua a liderar na zona euro com 18,26%, mas desceu em relação ao valor de fecho de 6 de março. A rentabilidade média anual de toda a dívida obrigacionista da zona euro subiu de 13,11% para 14,05% no período referido.

BCE comprou €3,2 mil milhões dia 9

Benoît Coueré, membro da direção do BCE, referiu na terça-feira que o sistema de bancos centrais do euro adquiriu 3,2 mil milhões de euros em dívida pública no primeiro dia do programa, 9 de março.

Numa intervenção na 2ª Conferência de Mercados de Dívida Soberana em Frankfurt, o responsável do BCE referiu que o universo de intervenção do programa alargado de compra de dívida pública totaliza 4,6 biliões de euros em obrigações dos países emissores, 277 mil milhões em títulos de agências europeias e 400 mil milhões em dívida emitida por entidades supranacionais.

Recorde-se que o programa pretende comprar uma média mensal de 60 mil milhões de euros em dívida pública e privada até, pelo menos, setembro de 2016, podendo implicar uma injeção de liquidez de mais de 1,1 biliões de euros.