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Candidato presidencial proposto pelo governo grego não passa na 1ª volta

O candidato único presidencial Stavros Dimas, proposto pelo governo de coligação, só obteve 160 votos na primeira volta de eleições no Parlamento grego. A segunda volta decorre a 23 de dezembro. São precisos 200 votos a favor.

O candidato único presidencial Stavros Dimas proposto pelo governo de coligação conservador-socialista não foi eleito na primeira volta de eleições no Parlamento grego que se realizaram ao final da tarde em Atenas. Obteve apenas 160 votos, cinco votos mais do que os 155 das bancadas que apoiam o governo de Antonis Samaras. Eram necessários 200 votos em 300 deputados que formam o Parlamento. Deste modo, uma segunda volta foi marcada para 23 de dezembro, na próxima semana.

A curiosidade é que 135 deputados não votaram a favor nem contra, expressado alto e bom som "presente". Cinco deputados faltaram à votação.

Na segunda volta voltam a ser necessários 200 votos. Se o candidato voltar a não obter essa maioria de 2/3, será realizada a 29 de dezembro uma terceira volta, onde a maioria necessária desce para 180 votos.

O objetivo do governo é conseguir mobilizar para o seu campo os 20 votos que faltam entre os independentes e os deputados da Esquerda Democrática e dos Gregos Independentes (de direita, mas anti-austeridade).

Caso não o consiga, o Parlamento é dissolvido nos dez dias seguintes e terão de ser convocadas eleições legislativas antecipadas no prazo de trinta dias para eleição de um novo Parlamento que, depois, procederá a um novo processo de três voltas eleitorais para obter uma maioria que eleja um novo presidente que terá de iniciar funções em março de 2015. A diferença neste segundo processo de eleição, com novo Parlamento, é que o novo presidente pode ser eleito com maiorias inferiores. Na primeira volta basta uma maioria de 180 votos, na segunda uma maioria de 151 votos e na terceira uma maioria simples entre os dois candidatos mais votados anteriormente.

 

Probabilidade de eleições legislativas antecipadas

"O resultado da votação desta quarta-feira a favor do candidato presidencial acabou por ser inferior ao esperado e, de facto, coloca em questão claramente a capacidade da coligação governamental em obter a maioria necessária de 180 votos para a terceira eliminatória, a última volta crítica", refere-nos Ioannis Tsamourgelis, professor no Departamento de Comércio Marítimo e Finanças da Universidade do Egeu na Ilha de Chios.

"Como as coisas se estão a apresentar, tudo indica que a Grécia vai ter de realizar eleições legislativas antecipadas e que a instabilidade política vai dominar o desenvolvimento das expetativas sobre a economia grega. No entanto, há que esperar pelo fim de todo este processo, antes de se tirar uma conclusão definitiva", acrescenta o economista, que conclui que, em relação aos mercados financeiros, "os principais ajustes já foram feitas na Bolsa de Atenas, e que só deverão ocorrer pequenas alterações nas posições dos investidores". Quanto à dívida soberana, Tsamourgelis pensa que "as yields dos títulos poderão ainda aumentar ligeiramente, especialmente nas maturidades de médio prazo".

 

Juros da dívida abaixo de 9%, mas risco de bancarrota em 60%

As yields da dívida soberana grega a 10 anos desceram esta quarta-feira no mercado secundário do patamar dos 9%, em que se mantinham desde 11 de dezembro, com exceção do dia 15. Fecharam esta quarta-feira em 8,84%, uma descida de 19 pontos base em relação ao fecho de terça-feira. Nas maturidades de médio prazo, as yields desceram dos 11,08% para 10,86% nos 3 anos, e dos 9,9% para os 9,8% a 5 anos.

O prémio de risco da dívida grega em relação à dívida alemã desceu 18 pontos base para 825 pontos base, mas o custo de segurar a dívida contra o risco de incumprimento (através dos instrumentos financeiros conhecidos por credit default swaps, CDS no acrónimo) subiu de terça para quarta-feira de 1097,32 pontos base para 1127,49 pontos base, segundo dados da CNBC, o que equivale a uma probabilidade de entrada em bancarrota de quase 60%. Para dados da Markit, o custo dos CDS subiu para 1133 pontos base.

A Bolsa de Atenas fechou no verde com o índice ASE a ganhar esta quarta-feira 3,33%. Recorde-se que a bolsa helénica sofreu dois crashes a 9 e 11 de dezembro. As perdas em bolsa desde o início do ano somam 25,86%, a segunda maior quebra mundial bolsista depois da queda do PSI 20 que se situa em 27,78%.