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Bancos não se entusiasmam com leilão do BCE

Os bancos da zona euro acorreram moderadamente ao segundo leilão da linha de refinanciamento de longo prazo condicionada (conhecida pelo acrónimo TLTRO). Apenas pediram 129,84 mil milhões de euros, mais do que no primeiro leilão em setembro. Mas a meta de 400 mil milhões para as duas operações deste ano ficou longe.

A meta de 400 mil milhões de euros para as duas operações de refinanciamento a longo prazo da banca da zona euro em 2014 através da linha do Banco Central Europeu (BCE) conhecida pelo acrónimo TLTRO (do inglês Targeted Long-Term Repo Operation) ficou quase por metade.

O segundo leilão realizado esta quinta-feira pelo BCE ficou-se por uma adjudicação de 129,84 mil milhões de euros de refinanciamento até setembro de 2018 a 0,15% de juros, mas condicionado a fazer "chegar" essa liquidez à economia real. Participaram no leilão 306 entidades. A 24 de setembro, o leilão ficou por 82,6 mil milhões de euros alocados e intervieram 255 entidades. Os analistas apontavam para um intervalo entre 130 e 170 mil milhões de euros neste segundo leilão. Ficou ligeiramente abaixo do mínimo das expetativas.

No conjunto, um pouco mais de 212 mil milhões de euros, o que os analistas estão a considerar como "serviços mínimos" e a interpretar como um sinal dado pelo mercado de que o BCE tem de avançar para medidas não convencionais mais agressivas e que a linha de TLTRO não é entusiasmante.

Na sua conta oficial no Twitter, Benoît Coeuré, membro da comissão executiva do BCE, considerou que este segundo leilão ficou dentro das previsões do próprio banco e do mercado e que registou "um incremento do número de participantes e uma distribuição equilibrada de liquidez entre países". Acrescentou que "os bancos que participaram nas duas operações usaram, em média, 80% do valor" que poderiam licitar.

A situação dos bancos da zona euro voltou na quarta-feira à ribalta com as declarações em Roma de Ignazio Angeloni, membro da comissão de supervisão do BCE. O italiano afirmou que o buraco de 25 mil milhões de euros identificado nos testes de stresse divulgados em outubro é apenas "o topo do icebergue".

 

Um ano de estímulos

A decisão de avançar com a linha TLTRO foi tomada a 5 de junho e, depois das duas operações realizadas em setembro e dezembro de 2014, ocorrerão leilões trimestrais entre março de 2015 e junho de 2016.

Os outros dois programas de estímulos em curso, decididos na reunião do BCE a 4 de setembro, e iniciados em outubro e novembro, de compra de dois tipos de ativos financeiros privados (covered bonds e ABS) somaram, até 5 de dezembro, um pouco mais de 21,5 mil milhões de euros - 20,9 mil milhões na compra de covered bonds e 601 milhões na compra de ABS.

Com a crise política na Grécia, cujo desfecho poderá só ser conhecido no final de janeiro, os analistas apontam para a probabilidade de o BCE tomar uma decisão a favor de um programa de estímulos mais massivo (incluindo a tão polémica compra de dívida soberana da zona euro), mesmo sem unanimidade no interior do seu conselho, na reunião de março em Chipre. Alguns analistas acham que isso já será tarde, e que a decisão deveria ser tomada na próxima reunião do BCE a 22 de janeiro.

O BCE, ao longo de 2014, desceu a taxa diretora de juros para refinanciamento dos bancos de 0,25% para 0,05%, a mais baixa de sempre, e dificultou o parqueamento de depósitos dos bancos da zona euro nos cofres do banco central em Frankfurt descendo a taxa de remuneração de 0% para terreno negativo, chegando aos -0,2% em setembro. Afrouxou significativamenteas regras sobre coletarais a prestar e avançou inclusive para a compra de ativos financeiros privados desde outubro.

A intenção do BCE é engordar em 1 bilião de euros o balanço do banco através das operações de mercado que forem necessárias para retirar a inflação de um patamar abaixo de 1%. A projeção do BCE para a inflação média anual em 2015 situa-se, sem grandes ambições, em 0,7%.