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Atenas paga segunda tranche ao FMI

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FOTO ARIS MESSINIS/AFP/Getty Images

O Tesouro helénico envia um segundo cheque para Washington de 348 milhões de euros como amortização da dívida de 1,5 mil milhões de euros que vence este mês. 

O governo grego vai proceder a mais um pagamento da dívida de 1,5 mil milhões de euros mais juros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que vence em março. Segundo uma fonte governamental disse à Reuters, um segundo cheque de 348 milhões de euros segue hoje para Washington, depois de há uma semana o Tesouro ter enviado o primeiro cheque de 310 milhões de euros. A Grécia acabará de amortizar esta tranche do empréstimo de resgate a 16 de março com novo cheque de 581 milhões de euros e a 20 de março com o cheque final de 348 milhões de euros. Os pagamentos são feitos pela ODDIH, a agência de gestão da dívida similar ao IGCP em Portugal. A 9 de abril, o Tesouro grego tem mais 465 milhões de euros para amortirizar ao FMI.

Esta manhã reuniram-se pela primeira vez em Atenas os técnicos do designado Grupo de Bruxelas que é agora um quinteto, incluindo o governo grego, o Banco Central Europeu (BCE), o FMI, a Comissão Europeia e o representante dos dois Fundos europeus de resgate. As medidas de reformas propostas pelo ministro das Finanças Yanis Varoufakis são o tema de avaliação técnica pela equipa sedeada no Hotel Hilton. Varoufakis apresentou oficialmente sete na última carta ao Eurogrupo e anunciou um novo lote. Os técnicos do quinteto voltarão a reunir na próxima semana na capital helénica.

Duas comissões do Parlamento grego estão a analisar na especialidade duas propostas de lei de combate à crise humanitária e à corrupção, depois de aprovadas na generalidade pelos partidos da coligação e pela Oposição com exceção do Partido Comunista da Grécia.

As reuniões de técnicos realizam-se depois do primeiro-ministro grego Alexis Tsipras ter assinado na quinta-feira um acordo com a OCDE em Paris para o desenho de reformas estruturais e do BCE ter aprovado um aumento de 600 milhões de euros no teto da linha de liquidez de emergência a que os bancos locais podem recorrer junto do Banco Central Grego. O teto desta linha, conhecida pela sigla inglesa ELA, está, agora, em 69,4 mil milhões de euros e os analistas calculam que a almofada que pode ser usada rondará os 3,5 mil milhões de euros, o que poderá permitir aos bancos acorrer a emissões de dívida soberana de muito curto prazo pelo Tesouro grego. Esta semana, o presidente do Bundesbank, banco central alemão, Jens Weidmann desanconselhou abertamente os bancos gregos a adquirirem bilhetes do Tesouro grego.

A subida do limite do valor de emissão deste tipo de instrumentos de dívida de muito curto prazo continua sem ser autorizado pelo BCE. O ministro Varoufakis tem insistido em que Mario Draghi deveria abrir uma exceção tal como o fez em 2012 com o recém-empossado governo de coligação de Antonis Samaras.

Tsipras reuniu esta sexta-feira em Bruxelas com o presidente da Comissão Europeia. Jean-Claude Juncker, depois da reunião, mostrou-se "insatisfeito com os desenvolvimentos em semanas recentes" e manifestou desagrado por "não se terem feito progressos suficientes". Apesar de a Comissão Europeia ser um dos membros do quinteto designado por Grupo de Bruxelas, e de pretender fazer "propostas" para ajudar a resolver a situação, Juncker referiu que "não era o principal ator nas negociações".

 

Grexit regressou e Grexident surgiu

No entanto, o risco de uma saída da Grécia da zona euro - Grexit na contração em inglês usada pelos analistas financeiros - regressou esta semana. Mario Draghi declarou numa conferência em Frankfurt que o programa de compra de dívida pública pelo BCE se destina, também, a "blindar" os outros periféricos - tendo expressamente referido Portugal - do contágio grego.

O ministro das Finanças austríaco Hans Schelling, citado pela Reuters, disse que "o risco [de saída do euro] existe" e o colega alemão Wolfgang Schäuble afirmou à rádio austríaca ORF que, "como não sabemos exatamente o que os que mandam na Grécia estão a fazer, isso não é de excluir". Schäuble usou inclusive um neologismo mais recente que aponta para uma saída da Grécia do euro por "acidente" no decurso de negociações - um evento já batizado de Grexident, por uns, ou Graccident, por outros (contrações de Grexit com accident).

De acordo com fontes citadas pelo jornal grego "Ta Nea", o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem terá sido muito claro na última reunião de ministros afirmando que "não há problema" se a Grécia quiser sair do euro.

A agência de notação Standard & Poor's (S&P) analisa hoje o rating da dívida de longo prazo grega que se situa em B-  (uma classificação que significa que a dívida é considerada altamente especulativa, uma situação de "lixo financeiro" ainda mais grave que a notação portuguesa) sob observação negativa. A Moody's já classifica a dívida grega como de risco substancial com notação Caa1, um nível abaixo de B-, para onde a S&P poderá empurrar o rating grego.

 

Alemães querem gregos fora do euro

Entretanto, uma sondagem hoje publicada pelo ZDF Politbarometer na Alemanha revela que 52% dos inquiridos são contra a permanência da Grécia no euro, mais 9 pontos percentuais do que na sondagem anterior no mês passado, enquanto 40% ainda apoiam a sua pertença ao clube da moeda única.

O custo de financiamento da dívida obrigacionista grega situa-se em dois dígitos para os prazos de 2 a 15 anos no mercado secundário da dívida. A 2 anos as yields subiram esta sexta-feira para 18,6%; a 5 anos para mais de 15%; no prazo de referência, a 10 anos, registam 10,7%; e a 15 anos subiram para 10,14%.

Estes níveis de yields não são ainda tão altos como nos picos registados no início de fevereiro e depois da reunião do Eurogrupo a 16 desse mês, quando, no prazo a 2 anos, chegaram a atingir 22%, no prazo a 5 anos perto de 17%, e no prazo a 10 anos mais de 11,5%.

Os níveis de yields atingidos esta sexta-feira são superiores aos registados para as obrigações russas a 2 e a 5 anos e para as obrigações ucranianas a 2 anos.