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A Grécia aguenta-se até junho, diz um coordenador do Eurogrupo

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Thomas Wieser, que preside ao Grupo de Trabalho que reúne esta quarta-feira em teleconferência pelas 13h, não espera nova lista grega de reformas na reunião do Eurogrupo desta semana, mas admite que Atenas tenha recursos financeiros até junho.

"A liquidez da Grécia está um pouco apertada, mas deve ser suficiente até junho", referiu Thomas Wieser, que preside ao Grupo de Trabalho do Eurogrupo (conhecido pela sigla em inglês EWG) que prepara os encontros do órgão de reunião dos ministros das Finanças da zona euro. Wieser falou à rádio austríaca ORF tendo acrescentado que não deverá ser apresentada nenhuma nova lista mais detalhada na próxima reunião daquele órgão na sexta-feira.

As declarações do coordenador do EWG surgem antes da teleconferência do grupo que se realiza esta quarta-feira pelas 13h para apreciação do andamento das negociações do Grupo de Bruxelas que há cinco dias reúne em Paris envolvendo delegações do governo helénico e das quatro instituições representantes dos credores oficiais, Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF).

O FEEF tem pendente o desembolso a Atenas da última tranche do resgate europeu (o do FMI prolonga-se até 2016) de 1,8 mil milhões de euros. Até final de fevereiro, em tranches programadas do plano de empréstimo do FMI, mas pendentes do acordo, estão na gaveta 10,7 mil milhões de euros.

Fora de questão não pagar ao FMI

A ideia de que o Tesouro grego tem recursos até final de junho está a ser alimentada pela decisão do governo em centralizar todos os ativos de capital da administração pública, incluindo municípios que se rebelaram na terça-feira contra a medida de unificação de gestão financeira.

Em maio e junho, a Grécia tem de pagar quase 3 mil milhões de euros em amortizações e juros ao FMI e tem de refinanciar dívida de curto prazo num total de 8 mil milhões de euros.

Em entrevista à televisão irlandesa RTE, o ministro da Economia grego George Stathakis, afirmou esta quarta-feira que um default no curto prazo "está fora de questão", o que inclui os cheques ao FMI. Mas, em relação a julho e a agosto, o Tesouro helénico já não dispõe de recursos próprios para pagar o vencimento e juros de obrigações. Em julho, essa rubrica, que inclui as obrigações detidas pelo BCE, soma 4,15 mil milhões de euros e em agosto 3,39 mil milhões de euros.

Nos últimos dias de cada mês, o governo tem uma folha de ordenados e de pensões que rondam os 2 mil milhões de euros.

A confiança dos consumidores da zona euro caiu em abril, segundo o indicador da Comissão Europeia divulgado esta quarta-feira que relacionou o agravamento do valor negativo com a incerteza grega. O indicador caiu de -3,7 para -4,6, o primeiro agravamento em cinco meses. Tinha melhorado de -8,5 em janeiro para -6,7 em fevereiro e -3,7 em março.

Pontos de divergência

O ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis apontou quatro áreas onde as divergências se mantêm entre o governo helénico e os credores oficiais.

Segundo o jornal "Protothema", os pontos de divergência que se arrastam nas negociações em Paris no âmbito do Grupo de Bruxelas, derivam de ".linhas vermelhas" colocadas por Atenas e que se baseiam no princípio de não acordar "medidas recessivas", vulgo austeridade.

Reforma laboral - onde se está a exercer forte pressão do FMI, segundo o jornal. O governo pretende avançar com uma "contratação inteligente" com o apoio técnico da Organização Internacional do Trabalho, e incluindo medidas de incentivo aos empregadores.

Segurança Social - os credores oficiais insistem no corte de pensões e reformas e outros benefícios, enquanto o governo pretende usar as receitas das privatizações para garantir a sustentabilidade do sistema.

Bancos - o governo pretende criar um "banco tóxico" que absorva o crédito mal parado de todo o sistema bancário grego em vez de uma recapitalização ou resoluções.

Sistema fiscal - as divergências centram-se no aumento do IVA.

No plano das privatizações, o governo grego pretende atingir uma meta de obtenção de receitas na ordem de 1,5 mil milhões de euros em 2015, e de usar esse espaço para uma diversificação externa. O outro ponto de debate centra-se em torno da meta para 2015 e 2016 do excendente primário orçamental. Mas estes dois aspetos não foram referidos pelo "Protothema".

A parte grega tem sustentado que, em virtude das divergências de fundo no plano técnico em matérias consideradas chave pelos dois lados, a solução tem de passar por um acordo obtido "a nível político". No entanto, Christine Lagarde, diretora-geral do FMI, pronunciou-se na semana passada contra "um arranjo político de última hora" que passe por cima das negociações técnicas.

Descida nos juros no mercado secundário

Em virtude da expetativa sobre as reuniões desta semana do EGW, do Eurogrupo em Riga e inclusive de um encontro na quinta-feira entre o primeiro-ministro grego e a chanceler alemã à margem da cimeira europeia extraordinária, as yields das obrigações gregas no mercado secundário têm estado, esta quarta-feira, em baixa, contagiando positivamente os restantes periféricos.

As yields das obrigações gregas a 10 anos baixaram de 13,59%, no fecho de ontem, para 12,97% ao final da manhã de hoje.

As yields das Obrigações do Tesouro português a 10 anos registam 2,06% ao final da manhã no mercado secundário, tendo fechado na terça-feira em 2,13%. A trajetória acima de 2% regista-se desde 17 de abril.