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Risco político e de incumprimento “aquece” juros da Grécia

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Juros da dívida a 10 anos estão em alta há quatro sessões consecutivas. Subiram acima de 12% esta quarta-feira

Jorge Nascimento Rodrigues

O risco de um incumprimento na amortização de 3,2 mil milhões de euros ao Banco Central Europeu (BCE) a 20 de agosto e a probabilidade do regresso de turbulência política a Atenas depois do verão empurram esta quarta-feira as yields da dívida grega a 10 anos para 12,44% no mercado secundário da dívida soberana, mais de meio ponto percentual em relação ao fecho de terça-feira.

Depois de um pico registado a 9 de julho, com as yields das obrigações a 10 anos a fecharem em 19,44%, o disparo iniciado no final de junho foi revertido, sobretudo a partir do acordo na cimeira do euro na madrugada de 13 de julho. Um nível de 19% já não se registava desde setembro de 2012, o ano da reestruturação da dívida grega detida por investidores privados. A 17 de julho, as yields desceram para 11,15% naquela maturidade. No entanto, a partir de 24 de julho, as yields têm registado uma nova trajetória ascendente.

Apesar do início das negociações técnicas em Atenas com os credores oficiais, a dúvida reinstalou-se em relação à conclusão do memorando de entendimento para o terceiro resgate até 18 de agosto e se, no caso de as negociações prosseguirem depois dessa data, os credores oficiais disponibilizarão um segundo empréstimo intercalar para que a Grécia não caia em incumprimento seletivo de dívida a 20 de agosto.

O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras reafirmou esta quarta-feira que o seu governo apenas se compromete com a implementação das medidas acordadas na cimeira do euro a 13 de julho e com mais nenhumas que possam ser reclamadas pelas delegações dos credores oficiais. Tsipras reiterou que espera que uma decisão sobre o alívio da dívida grega seja tomada em novembro depois da conclusão do primeiro exame ao novo resgate.

O risco político ressurgiu depois das últimas votações dos dois pacotes de medidas acordados na cimeira do euro revelarem que um pouco mais de ¼ dos deputados da bancada do Syriza, o principal partido da coligação governamental, votou contra ou se absteve. Apesar de serem uma minoria, esta oposição interna retirou à coligação governamental a maioria absoluta no Parlamento e gerou uma situação em que os pacotes governamentais são viabilizados por três partidos da oposição parlamentar, a Nova Democracia, o Pasok e o Potami. Os dois primeiros formaram o anterior governo que caiu em janeiro.

O partido de Tspiras convocou uma reunião extraordinária do seu Comité Central para esta quinta-feira onde deverão ser debatidas as duas linhas face à atual situação: a defendida pelo governo, de implementação do acordo obtido na cimeira do euro, e a da minoria, a Plataforma de Esquerda (cujos ministros já foram afastados do governo), que defende um caminho alternativo. Tsipras propôs um congresso extraordinário do partido para setembro, depois do memorando assinado, enquanto a oposição interna minoritária advoga a sua realização imediata.