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Moody’s corta notação grega. Apenas a dois níveis de default

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A agência de rating decidiu esta quarta-feira cortar a notação da dívida grega de longo prazo de Caa2 para Caa3, um nível em que já há poucas perspetivas de recuperação da dívida. É a pior notação entre as três grandes agências

Jorge Nascimento Rodrigues

A agência de notação Moody’s decidiu esta quarta-feira cortar o rating da dívida grega de longo prazo para Caa3, apenas dois níveis acima de default (bancarrota). A anterior notação (Caa2) era equivalente às atribuídas a 10 de junho pela Standard & Poor’s e a 15 de maio pela Fitch. A Moody’s é, deste modo, a primeira entre as três a dar o passo de colocar a dívida grega perto da situação técnica de bancarrota.

A agência argumenta que sem o apoio dos credores oficiais – Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) -, a dívida soberana grega entrará em default em relação à própria divida detida por privados. Os privados detinham 39,4 mil milhões de euros em obrigações do Tesouro no final de abril e a banca privada grega é a principal detentora de bilhetes do Tesouro, que, naquela data, somavam cerca de 15 mil milhões de euros.

Recorde-se que, na terça-feira, o custo dos seguros contra o risco de incumprimento da dívida grega a 5 anos – conhecidos pela designação de credit default swaps, ou cds no acrónimo - atingiu um valor de 7097,1 pontos base, muito acima do preço para a dívida venezuelana que registava 4352 pontos base, e que, desde há muito, lidera o “clube”  do risco de bancarrota.  Esta quarta-feira, o preço dos cds para a dívida grega desceu para 6344,64 pontos base.

O Tesouro grego falhou um pagamento ao FMI no dia 30 de junho, mas a ocorrência de incumprimento pontual a este credor oficial, não foi considerada como “evento de crédito”.  A 13 de julho, a Grécia terá de amortizar mais 451 milhões de euros ao Fundo. O grosso das amortizações de julho diz respeito ao vencimento das obrigações gregas em carteira no BCE num montante de 2,1 mil milhões de euros e em carteira nos bancos centrais nacionais da zona euro num montante de 1,36 mil milhões de euros. Tem, ainda, de amortizar as obrigações gregas detidas pelo Banco Europeu de Investimento num montante de 25 milhões de euros. A 3 e 14 de julho, o Tesouro helénico terá de pagar juros de 4,5 milhões de euros de uma obrigação denominada em ienes. De 17 a 25 de julho tem de pagar juros de obrigações gregas num total de 650 milhões de euros.