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Dívida. Prémio de risco regista maior descida do ano

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O risco da dívida portuguesa desceu hoje a pique. Foi a maior descida de 2015. O movimento de queda abrangeu os periféricos do Sul

Jorge Nascimento Rodrigues

Os investidores na dívida soberana da zona euro continuam a apostar num acordo entre a Grécia e os credores oficiais e essa expetativa refletiu-se esta segunda-feira no mercado secundário da dívida soberana com uma baixa generalizada das yields nos periféricos, com exceção da Irlanda, cujo padrão é, agora, similar ao das economias do centro.  O mercado da dívida dos periféricos do Sul vive um momento de "contágio grego" positivo.

A nova proposta grega tem medidas que implicam mais 2,3 mil milhões de euros de receitas e poupanças orçamentais em 2015 e 2016 em relação à proposta em vigor até ao fim-de-semana, a qual foi caracterizada por ter reduzido a divergência com os credores oficiais de 2 mil milhões de euros para 910 mil milhões (0,5% do PIB estimado para 2016).

A grande mexida divulgada esta segunda-feira é no sistema de contribuições para a segurança social e sistema de saúde e na imposição de restrições à reforma antecipada com um acumulado de poupanças adicionais de 2 mil milhões de euros nos dois anos. O primeiro-ministro grego dissera na semana passada que tinha mais duas ou três cartas na manga e começou a tirá-las.

O Eurogrupo (órgão informal de reunião dos ministros das Finanças do euro) adiou uma vez mais uma decisão, mas fala de “passo positivo no processo”. O movimento de queda das yields das obrigações e do prémio de risco dos quatro periféricos do Sul – Espanha, Grécia, Itália e Portugal - manteve-se em toda a sessão.

As yields das Obrigações do Tesouro português, no prazo de referência a 10 anos, caíram 21 pontos base, fechando esta segunda-feira em 2,84%. No caso das obrigações gregas, naquela maturidade, a redução registada foi de 137 pontos base, mas, mesmo assim, as yields continuam acima de 11%.

Em virtude da subida das yields das obrigações alemãs a 10 anos, o prémio de risco dos periféricos desceu. No caso da dívida portuguesa, o risco registou a maior descida do ano, de 34 pontos base. O adicional em relação ao custo da dívida alemã é, agora, de 195 pontos base (o equivalente a 1,95 pontos percentuais de diferença), um nível não registado desde maio de 2010.

  • Os juros das Obrigações do Tesouro português desceram para menos de 3% na abertura desta segunda-feira, dia D para a Grécia. A expectativa de um acordo na cimeira do euro ao final da tarde está a provocar um "contágio positivo" nos periféricos do Sul