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Contágio grego positivo. Juros da dívida abaixo de 3%

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Os juros das Obrigações do Tesouro português desceram para menos de 3% na abertura desta segunda-feira, dia D para a Grécia. A expectativa de um acordo na cimeira do euro ao final da tarde está a provocar um "contágio positivo" nos periféricos do Sul

A expectativa de fumo branco nas negociações entre a Grécia e os credores oficiais está a gerar uma vaga de contágio positivo. As yields da dívida obrigacionista do periféricos do Sul - Espanha, Grécia, Itália e Portugal - estão em trajetória descendente.

As yields das Obrigações do Tesouro português no prazo de referência a 10 anos desceram para menos de 3% na abertura desta segunda-feira. Pelas 8h30 registavam 2,94%. Níveis de yields abaixo de 3% já não se verificavam desde  11 de junho.

Em virtude de uma subida das yields das obrigações alemãs naquela maturidade de referência, os prémios de risco da dívida dos periféricos revelam descidas assinaláveis. No caso da dívida portuguesa, o prémio de risco já desceu esta segunda-feira para 210 pontos base (o equivalente a um diferencial de um pouco mais de 2 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã).

As bolsas também estão a reagir positivamente. O PSI 20, da bolsa portuguesa, sobe 2% e na Europa o índice Eurostoxx 50 regista ganhos de 2,7%. As bolsas asiáticas e da Oceânia estão, também, no verde.

Divergências reduzidas a metade
Os investidores financeiros dão sinais de esperar um acordo entre gregos e credores oficiais durante a jornada de hoje. As divergências entre as duas partes somavam 910 milhões de euros no final da semana passada (0,5% do PIB de 2016, o ano em que ainda não havia convergência), mas parecem ter encurtado entretanto para 450 milhões, segundo o ministro de Estado Alekos Flambouraris à MegaTV, ainda que não se conheçam detalhes fundamentais da nova proposta que foi enviada domingo para a Comissão Europeia.

Segundo a Reuters, os gregos teriam concordado com a subida gradual da idade de reforma para os 67 anos e com uma mexida nas exceções e revisto a incidência das três taxas de IVA que defendem (contra duas apenas, de 13% e 23%, pelos credores), com a intermédia de 13% para energia e cabaz de produtos alimentares e a de 6% para medicamentos e livros.

Esta segunda-feira é encarada pelos investidores como um dia D para a crise grega depois de um impasse negocial que dura desde agosto de 2014, agravando a crise política interna que levou a uma mudança de coligação governamental em janeiro de 2015.

O Banco Central Europeu realizará mais uma reunião em Frankfurt, a partir das 9h30, para apreciar a situação da banca helénica, com o registo de pedidos antecipados de levantamentos por depositantes na ordem de mais mil milhões de euros (igual ao recorde verificado a 17 de junho). Na semana passada, a fuga de depósitos no sistema bancário grego somou 5 mil milhões de euros.

O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras deverá reunir-se esta segunda-feira com vários líderes europeus e credores oficiais antes da reunião do Eurogrupo pelas 11h30 onde o ministro das Finanças Yanis Varoufakis discutirá a apreciação da equipa técnica das três instituições credoras com os seus homólogos. Pelas 18h realiza-se a cimeira do euro. 

Grécia deve €11,9 mil milhões ao FMI e BCE até final do ano
Os media financeiros estão a avançar que os credores oficiais estariam disponíveis para uma extensão do programa europeu por mais seis meses (até final do ano) e injetar 18 mil milhões de euros (7,2 mil milhões de euros de tranches do resgate e lucros do Euro-sistema que deveriam ter sido desembolsados em 2014 estão em atraso). Recorde-se que a intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) só termina em março de 2016.

Até final do ano, o Tesouro grego tem de amortizar 5,2 mil milhões de euros ao FMI (incluindo o cheque de 1,54 mil milhões de euros a enviar a 30 de junho e mais 450 milhões de euros a pagar já em julho) e 6,7 mil milhões ao Banco Central Europeu derivados de obrigações gregas que o conjunto do Euro-sistema tem em carteira.

No mercado de capitais terá de refinanciar 9,6 mil milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (BT, dívida de muito curto prazo). No dia 17, o Tesouro grego conseguiu refinanciar BT  a 3 meses num montante de 1,3 mil milhões de euros com uma taxa de remuneração de 2,7% junto de investidores domésticos.