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Juros da dívida grega disparam. Arrastam Portugal e restantes periféricos

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FOTO ALKIS KONSTANTINIDIS /Reuters

A suspensão das negociações em Bruxelas, este domingo, animou o contágio grego. Juros da dívida grega a 10 anos acima de 12% e das OT no mesmo prazo sobem para 3,17%. FMI diz que europeus têm de aliviar a dívida helénica. Wolfgang Münchau afirma que os gregos nada têm a perder dizendo não

As yields das obrigações gregas no prazo de referência, a 10 anos, dispararam para 12,23% no mercado secundário da dívida pelas 10h30. Contudo, ainda estão abaixo do máximo do ano de 13,6% a 22 de abril, quando os investidores perceberam que não haveria lista de reformas na Grécia aprovada pelo Eurogrupo (órgão informal de reunião dos ministros das Finanças) no final desse mês. No prazo a 2 anos, as yields saltaram para 28,23% e a 5 anos estão acima de 18,5%.

O disparo das yields da dívida grega surge na sequência da suspensão das negociações em Bruxelas no domingo por Jean-Claude Juncker, o presidente da Comissão Europeia, considerando que se revelaram divergências significativas (que se cifram num número de 2 mil milhões de euros por ano) entre as duas partes e que a resolução do impasse deve passar para a reunião do Eurogrupo a 18 de junho.

Segundo revelaram os jornais helénicos, Atenas havia proposto durante o fim-de-semana um plano em que aceitava saldos primários orçamentais de 1% em 2015 e 2% em 2016 (metas idênticas às do memorando em 10 pontos dos credores oficiais) avançava com uma reforma do IVA apontando para receitas de 2 mil milhões de euros em 2015 e 2016, ainda que não aceitando a redução para apenas dois escalões (um geral de 23% e outro reduzido de 11% para alimentação, medicamentos e hoteis, como pretendem os credores oficiais) e contrapondo a manutenção de três (6%, 13% e 23%) mas com as abrangências alteradas.

Na quinta-feira da semana passada tinha sido a vez do Fundo Monetário Internacional (FMI) bater com a porta nas negociações técnicas em Bruxelas e no dia seguinte a Reuters divulgava que um cenário de incumprimento de dívida por parte da Grécia foi pela primeira vez discutido no Grupo de Trabalho do Euro.

Este domingo o influente colunista do “Financial Times”, Wolfgang Münchau, escrevia que a Grécia nada tinha a perder em dizer não aos credores oficiais e o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, divulgava a posição da organização exigindo aos europeus que resolvessem o problema da dívida grega, encarando a necessidade urgente de uma resolução (com alívio da dívida), e  aos gregos que fizessem uma reforma do sistema de pensões e mexessem no IVA.

Münchau escreveu que a aceitação do memorando atual dos credores oficiais implicaria uma contração adicional de 12,6% no PIB grego até 2018, depois da recessão continuada durante seis anos que provocou um rombo de 26% no PIB do país.

Comissão Europeia deve ter plano de emergência
O contágio grego junto dos restantes periféricos do euro regressou em força. As yields das Obrigações do Tesouro (OT) português a 10 anos subiram para 3,17%, um novo máximo do ano. No prazo a 5 anos subiram para 1,797% e a 2 anos dispararam 400% situando-se, agora, em 0,478%.

Registam-se, também, subidas das yields no prazo a 10 anos para as obrigações  espanholas, italianas e irlandesas.

"As obrigações soberanas da periferia [do euro] foram afetadas pela volatilidade. Os investidores começam a exigir uma yield extra para deter estes ativos", refere o comentário desta segunda-feira da Markit.

Nas obrigações das economias do centro do euro, o contágio grego não se está a verificar esta manhã, registando-se, pelo contrário, descidas das yields. Nas obrigações de referência, as Bunds alemãs, encaradas também pelos investidores como refúgio, as yields desceram três pontos base para 0,82% no prazo a 10 anos.

Esta segunda-feira, a Reuters citava o comissário europeu Guenther Oettinger que, em Berlim, afirmou que a Comissão Europeia devia "preparar um plano de emergência porque a Grécia cairá numa situação de emergência". O comissário de origem alemã explicou que tal plano é indispensável para "evitar o agravamento da situação no caso da Grécia abandonar a zona euro, no caso de um bancarrota".