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Juros das obrigações alemãs acima do limiar psicológico de 1%

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No dia de uma trilateral entre Tsipras, Merkel e Hollande, o mercado da dívida soberana da zona euro continua “nervoso”. Juros das Bunds alemãs galgam o limiar psicológico de 1%. Juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos sobem para 3,07%

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das obrigações alemãs a 10 anos - conhecidas pela sua designação original de Bunds - subiram esta quarta-feira no mercado secundário da dívida soberana para 1,06% pelas 9h, galgaram o limiar psicológico de 1%, o que já não acontecia desde setembro de 2014. Registaram 1,007% pelas 12h.

O analista Marc Chandler já chamou a atenção para a importância de seguir com atenção a trajetória destes juros da dívida de referência na zona euro. Se ultrapassarem a linha de 1,13%, a situação começa a ser crítica. O mercado da dívida alemã está marcado por falta de liquidez, derivada da estratégia do governo de Berlim em baixar a dívida e alcançar um orçamento sem défice em 2015, emagrecendo a oferta, refere Chandler. A esta estratégia soma-se o aumento da procura de obrigações com o programa de compras de dívida pública pelo Banco Central Europeu. O aumento das expetativas de inflação para a zona euro é outro dos ingredientes que está a deixar para trás os mínimos históricos alcançados nas yields da dívida até abril.

O Tesouro alemão em um leilão de dívida de obrigações a 2 anos realizado esta quarta-feira ainda conseguiu impor aos investidores uma taxa de remuneração média negativa (-0,16%), mas menos gravosa para os credores do que a obtida em operação similar anterior (-0,21%).

A trajetória de subida abarca toda a dívida obrigacionista da zona euro – com exceção da Grécia, cujas yields no prazo a 10 anos desceram ligeiramente à espera da reunião trilateral em Bruxelas entre o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês François Hollande. A realizar-se, a reunião será à margem da cimeira que decorre entre a União Europeia e a América Latina.

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos continuam a trajetória de subida. Registaram 3,07% pelas 12h, depois de, na terça-feira, terem fechado em 3% e na segunda-feira em 3,03%, quando a barreira dos 3% foi ultrapassada pela primeira vez desde há sete meses. Já subiu a 3,10% pelas 9h30 desta quarta-feira.

Além das alterações no comportamento dos investidores na dívida da zona euro e no próprio mercado obrigacionista, por efeito do programa de compras de dívida pública no mercado secundário pelo Banco Central Europeu (BCE), a incerteza sobre a Grécia continua.

A evolução das negociações entre os credores oficiais e Atenas está agora dependente de soluções políticas negociadas diretamente com os dois países líderes da zona euro, já que, no plano das metas orçamentais e das medidas concretas, permanecem divergências até à data não superáveis, apesar da aproximação em algumas matérias (como a meta para os excedentes primários orçamentais, o adiamento das medidas concretas de reforma laboral, ou algumas privatizações).

Dois pré-requisitos, diz Varoufakis
Em entrevista na terça-feira ao jornal alemão “Der Tagesspiegel”, o ministro das Finanças Yanis Varoufakis declarou que não era antialemão, que não era um germano-cético, que “o que queria era que a Alemanha liderasse”, que o país governado por Merkel devia comportar-se com a responsabilidade política de ser, na verdade, um “hegemonista” na zona euro. Dias antes, numa opinião publicada no “Project Syndicate”, o ministro apelava à chanceler para fazer, numa cidade grega, um “Discurso de Esperança” para a Grécia, seguindo as pisadas dos norte-americanos em 1946 em relação à Alemanha.

Além das divergências que permanecem em relação ao memorando de 10 pontos apresentado pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, a Tsipras na semana passada, o ministro das Finanças clarificou, nesta entrevista, que não há acordo sem dois pré-requisitos: uma solução para a dívida oficial ao BCE e ao Fundo Monetário Internacional e um programa de investimento para o crescimento através do Banco Europeu de Investimento.