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“Nervosismo” continua. Juros da dívida em alta

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Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos já registaram 2,95% esta quinta-feira. No caso das obrigações alemãs no mesmo prazo já subiram até 0,998%. Juros das obrigações gregas continuam a descer.

Jorge Nascimento Rodrigues

Mario Draghi falou de “algum nervosismo” no mercado da dívida obrigacionista da zona euro face à reversão da trajetória de descida para mínimos históricos e yields negativas em diversos prazos em várias economias da zona euro que se verificou nos primeiros meses do ano.

Os mercados da dívida reagiram às palavras do presidente do Banco Central Europeu na conferência de imprensa de quarta-feira, após a reunião do conselho de governadores, com mais “nervosismo”.

As yields das obrigações soberanas dos países da zona euro continuam esta quinta-feira a fixar máximos do ano.

As yields das obrigações alemãs a 10 anos já tocaram o limiar de 1%, registando durante esta manhã 0,998% e as yields das Obrigações do Tesouro  (OT) português a 10 anos já subiram até 2,95% durante a sessão matinal de hoje. O nível de 1% para as obrigações alemãs não se regista desde setembro de 2014 e o patamar de 3% para as OT desde novembro daquele ano.

Recorde-se que, a 17 de abril, as yields das obrigações alemãs a 10 anos desceram para um mínimo histórico de 0,07%, muito perto de 0%, e que em março as yields das OT naquela maturidade fixaram um mínimo histórico de 1,51%.

Num leilão de dívida realizado esta quinta-feira pela Agência do Tesouro francesa, as taxas de remuneração média aos investidores subiram em relação a operações similares anteriores. De 0,74% para 0,95% a 8 anos, de 0,98% para 1,28% a 10 anos e de 0,93% para 1,66% a 15 anos.

O período excecional de yields no mercado secundário e taxas de remuneração nas colocações de dívida historicamente em mínimos, com os governos da zona euro a emitirem dívida obrigacionista a juros muito baixos ou mesmo negativos (em determinados prazos) poderá ter sofrido uma "reversão abrupta", como alertava ainda recentemente o Relatório semestral sobre Estabilidade Financeira do Banco Central Europeu.

Apesar de não haver perspetiva de um acordo iminente entre o governo grego e os credores oficiais, os investidores continuam a apostar numa solução entre as duas partes.  As yields das obrigações gregas a 10 anos continuam a trajetória de descida, mantendo-se abaixo de 11% e longe dos máximos do ano acima de 13% a 20 de abril.

A reunião de quarta-feira à noite em Bruxelas, que durou mais de cinco horas, entre o primeiro-ministro helénico Alexis Tsipras e os presidentes da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, terminou "construtivamente". Segundo o que foi difundido publicamente, com uma convergência tendencial em matéria de excedente primário orçamental (sem juros da dívida), onde os credores oficiais abandonaram definitivamente as exigências do memorando da troika reafirmadas em agosto do ano passado, e a manutenção das divergências de fundo em matérias onde o governo de Atenas considera existirem “linhas vermelhas” (IVA, segurança social, contratação coletiva, entre outras). Tsipras referiu que as negociações vão continuar nos “próximos dias”.

Fontes oficiais de Atenas garantiram ao jornal helénico “Kathimerini” que o envio do cheque para o Fundo Monetário Internacional (FMI) a 5 de junho (num montante de um pouco mais de 300 milhões de euros) não está em causa e que o Tesouro terá reunido recursos para pagar também o cheque a enviar a 12 de junho (num montante de 350 milhões de euros). Mario Draghi, na conferência de imprensa de quarta-feira, e algumas fontes do FMI referidas pelo "Kathimerini", apontaram para a possibilidade de um “agrupamento” dos quatro pagamentos ao Fundo num só no final do mês (num total de 1,6 mil milhões de euros), se o governo de Atenas o solicitar. Evitando o stresse de um incumprimento ao FMI e permitindo ganhar mais tempo para as negociações em curso.

Os fatores macroeconómicos (regresso em maio da zona euro à inflação – positiva - ainda que muito baixa, previsão de crescimento económico em 1,5%, ainda que fraco e medíocre face ao norte-americano) e “técnicos”, como referiu Draghi, claramente com a mudança de comportamento dos investidores na dívida pública em relação às obrigações e a fraca liquidez deste mercado, estão a influenciar a subida das yields desde final de março. O contágio grego, que marcou forte presença em abril, tem estado relativamente “adormecido” em virtude da continuação das negociações entre Atenas e os credores oficiais alimentar a expetativa de um acordo.

 

 

  • Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos fecharam esta terça-feira em 2,84%, o nível mais alto desde início do ano. O movimento de subida dos juros da dívida no mercado secundário abrangeu toda a zona euro, com exceção da Grécia, que aguarda amanhã divulgação da proposta do “Grupo de Berlim”.