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Juros da dívida fixam novo máximo do ano

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Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos fecharam esta terça-feira em 2,84%, o nível mais alto desde início do ano. O movimento de subida dos juros da dívida no mercado secundário abrangeu toda a zona euro, com exceção da Grécia, que aguarda amanhã divulgação da proposta do “Grupo de Berlim”.

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro (OT) português no prazo de referência, a 10 anos, fecharam no mercado secundário em 2,84%, um novo máximo do ano, que está, agora, ao nível das yields registadas em dezembro de 2014.

Durante a sessão de hoje chegaram a atingir 2,87%. O anterior máximo de 2015 havia sido registado a 7 de janeiro com um valor de fecho de 2,73%. Desde final de abril são as yields que mais subiram em toda a zona euro, mais de 70 pontos base.

A subida abrangeu toda a zona euro, com exceção da Grécia. As maiores subidas diárias verificaram-se para as yields das obrigações francesas e alemãs no prazo a 10 anos. As yields das obrigações italianas e espanholas nessa maturidade de referência fecharam acima de 2%, e registam subidas de mais de 60 pontos base em relação ao final de abril.

O movimento de subida dos juros da dívida na zona euro, com exceção da Grécia (que revela uma trajetória própria em função da evolução das negociações entre o Governo de Atenas e os credores oficiais desde final de janeiro), regista-se desde final de março.

A mudança de atitude dos investidores em relação à dívida obrigacionista da zona euro manifesta-se desde final de março, deixando para trás mínimos históricos nas yields em toda a zona euro (com exceção da Grécia) e yields negativas num conjunto amplo de prazos em sete economias do euro (Alemanha, Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Holanda e Irlanda) que se tem reduzido. Recorde-se que as OT a 10 anos registaram um mínimo histórico de 1,51% em março. Desde essa altura já subiram mais de 1 ponto percentual.

A rentabilidade anual (nas últimas 52 semanas) da dívida obrigacionista portuguesa (em todos os prazos) continua a cair. Baixou esta terça-feira para 7,78% depois de ter registado 8,99% no final de maio e 12,08% no final de abril, segundo dados do índice da Bloomberg (Bloomberg Global Benchmark Sovereign Bond Indexes).

Inflação pela primeira vez desde há 6 meses

O afastamento do espectro da inflação negativa na zona euro está a contribuir para a alteração das yields e a falta de liquidez no mercados está a ampliar o seu movimento de subida.

O Eurostat divulgou esta terça-feira as previsões preliminares para a inflação da zona euro em maio apontando para valores acima das previsões dos analistas, confirmando uma subida de 0,3% na variação de preços em cadeia (de um mês para o seguinte) e de 0,9% em termos homólogos (entre maio de 2014 e maio de 2015).

Depois de quatro meses em inflação negativa, na variação em cadeia, entre dezembro de 2014 e março de 2015, a inflação está em terreno positivo. É a primeira vez em seis meses que a inflação reaparece.

O afastamento do risco de deflação (inflação negativa persistente e generalizada) é atribuído aos efeitos do programa de compras de dívida pública obrigacionista no mercado secundário pelo Banco Central Europeu (BCE), que totalizam cerca de 146,7 mil milhões de euros desde 9 de março até 29 de maio, e à subida do preço do barril de petróleo de Brent de um mínimo de 47,7 dólares em janeiro para mais de 60 dólares desde meados de abril. O preço do Brent fechou em 65,52 dólares no final de maio e mantém-se no patamar dos 65 dólares. 

Outra boa notícia dada esta terça-feira pelo BCE revela que, pela primeira vez desde 2009, as PME da zona euro referem uma melhoria na disponibilidade de crédito bancário e uma queda nas taxas de juro dos empréstimos, segundo o relatório sobre o acesso a financiamento por parte das empresas na zona euro realizado pelo banco central junto de 11720 empresas, 91% das quais com menos de 250 empregados.

Juros da dívida grega descem e “Grupo de Berlim” apresenta proposta amanhã

As yields da dívida grega a 10 anos mantêm-se acima de 11%, mas recuaram esta terça-feira 44 pontos base, fechando em 11,18%, um nível similar ao do final de maio.

O facto de não se registar uma subida para níveis próximos ou superiores a 13% (um máximo do ano verificado a 21 de abril fechando em 13,44%) deve-se aos mercados financeiros continuarem a apostar na possibilidade de um acordo entre o governo grego e os credores oficiais evitando em junho um evento de crédito por parte do Tesouro grego.

A reunião de emergência em Berlim de segunda-feira à noite dos mais altos representantes dos credores oficiais (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu) com a chanceler alemã Ângela Merkel e o presidente francês François Hollande decidiu que o grupo, já batizado de “Grupo de Berlim”, deveria trabalhar com “intensidade” numa solução.

O diário helénico “Naftemporiki” fala da possibilidade de um “acordo intercalar”. Na segunda-feira, o governo grego enviou aos credores oficiais uma proposta de 47 páginas onde aponta para metas de excedente primário orçamental de 0,8% em 2015, subindo para 1,5% em 2016, segundo a Agência de Noticias de Atenas.

O presidente do Eurogrupo (órgão que reúne os ministros das Finanças da zona euro), o ministro holandês Jeroen Dijjselbloem, colocou hoje alguma água na fervura sobre a iminência de um entendimento ao declarar que um acordo “não era teoricamente possível esta semana”.

No entanto, o “Grupo de Berlim” terá acordado esta terça-feira uma proposta que será transmitida na quarta-feira ao governo grego, não se sabendo se haverá uma teleconferência com o primeiro-ministro Alexis Tsipras ou mesmo uma reunião presencial de alto nível, noticia o jornal helénico “Kathimerini” na sua edição em inglês.

A data crítica desta semana é 5 de junho, quando o Tesouro grego terá de enviar para o FMI um cheque de mais de 300 milhões de euros como amortização de uma tranche do empréstimo.

BCE deverá continuar a manter ELA à Grécia

Há alguma expetativa em torno da reunião do Banco Central Europeu (BCE) de quarta-feira em que o tema “Grécia” deverá estar no menu.

Esta terça-feira, Daniele Nouy, chefe do organismo do BCE para a supervisão bancária, afirmou que os bancos gregos continuam solventes apesar da fuga de depósitos (21 mil milhões de euros entre dezembro de 2014 e final de abril de 2015, segundo os mais recentes dados oficiais) que se terá acelerado em maio.

A declaração de Nouy afasta a possibilidade de haver uma decisão drástica do BCE que dificulte o acesso da banca helénica à linha de assistência de emergência de liquidez (conhecida pela sigla inglesa ELA) através do banco central grego. O BCE decidiu esta terça-feira aumentar o teto da ELA em 500 milhões de euros subindo-o para 80,7 mil milhões de euros. Na semana passada não havia autorizado nenhuma subida.