Siga-nos

Perfil

Economia

Dívida

Dívida. Juros sobem pelo segundo mês consecutivo.

  • 333

Mínimos históricos ficam para trás. BCE avisa para probabilidade de “ inversão abrupta” nos atuais baixos prémios de risco. Juros das OT a 10 anos fecham mês acima de 2,5%.

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields da dívida obrigacionista soberana das economias da zona euro subiram no mercado secundário pelo segundo mês consecutivo. No caso das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, subiram de 1,69% no final de março para 2,57% no final de maio.

Os mínimos históricos nos juros da dívida pública registados nos primeiros quatro meses do ano nos membros do euro (com exceção da Grécia) ficaram para trás.

O efeito do anúncio pelo Banco Central Europeu (BCE) a 22 de janeiro de um programa amplo de compras de dívida obrigacionista soberana dos membros da zona euro no mercado secundário, que se iniciaria a 9 de março, provocou uma descida para mínimos históricos jamais vista. No caso das OT, na maturidade a 10 anos, o nível atual das yields é superior em mais de 1 ponto percentual em relação ao mínimo de 1,51% registado em março.

Um caso muito expressivo é o da dívida alemã naquela maturidade – desceu de 0,32% no final de fevereiro para 0,18% no final de março, tendo chegado a um mínimo histórico de 0,07% a 17 de abril, para depois subir para 0,36% no final de abril e 0,49% no final de maio.

A rentabilidade anual (nas últimas 52 semanas) da dívida obrigacionista (em todos os prazos) do conjunto da zona euro e dos seus membros continuou a cair em maio, segundo o índice da Bloomberg. No caso do conjunto da zona euro, desceu de 10,96% em final de abril para 8,09% em final de maio. No mesmo período, para a dívida obrigacionista portuguesa, caiu de 12,08% para 8,99%. Na zona euro, a dívida obrigacionista atualmente mais rentável em termos anuais é a italiana, que, no entanto, desceu de 12,48% para 9,5% no período referido. A rentabilidade anual da dívida obrigacionista portuguesa continua a ser mais elevada do que a espanhola, irlandesa e alemã.

Aviso do BCE

O BCE, no seu Relatório semestral sobre Estabilidade Financeira, publicado esta semana, avisa que poderá ocorrer uma “inversão abrupta” nos atuais níveis muito baixos de prémios de risco na zona euro (com exceção da Grécia), o que poderá ser amplificado potencialmente pela pouca liquidez no mercado secundário.

Com reunião do conselho de governadores marcada para 3 de junho, na próxima semana, e depois de 134,2 mil milhões de euros aplicados no mercado secundário na aquisição de dívida soberana de países do euro (de 9 de março até 22 de maio, último dado disponível), aguarda-se que Mario Draghi explique melhor estes alertas do Relatório.

O prémio de risco da dívida portuguesa – medido por um diferencial em relação ao juro da dívida alemã a 10 anos, que serve de referência na zona euro – subiu de 150 pontos base no final de março para 175 no final de abril e 208 no final de maio. A barreira dos 200 pontos base (que significa um diferencial de 2 pontos percentuais em relação ao juro da dívida alemã) já não era ultrapassada desde meados de fevereiro. Este nível de prémio de risco está ao nível do início de junho de 2014, depois do final do programa de resgate da troika.

Mais risco

Uma nota do Citi Research, desta semana, alerta que os mercados da dívida obrigacionista soberana, à escala global, se “tornaram mais arriscados”.

O indicador de risco de mercado do Citi aponta para uma subida em 2015 para níveis que já não eram observados desde a crise do Lehman Brothers, no decurso da crise financeira global iniciada em 2008, ou do início do processo de redução gradual do programa de quantitative easing da Reserva Federal norte-americana (que ficou conhecido por tapering) no final de 2013, ainda que continue abaixo.

Volatilidade do mercado mais elevada e subida dos prémios de risco exigidos pelos investidores aos emissores de dívida soberana poderão estar no horizonte.

Euro desvaloriza e petróleo mais caro

O câmbio do euro em relação ao dólar revelou um comportamento em ziguezague nestes primeiros cinco meses.

Tendo registado um mínimo de 1,048 dólares por euro a 15 de março e um máximo de 1,145 dólares a 15 de maio, o câmbio fechou o mês de maio em 1,0983 dólares, uma desvalorização de 2,1% em relação ao final de abril.

O preço do barril de petróleo da variedade Brent (de referência europeia) – cuja influência relativa na inflação (a preocupação central da política monetária do BCE) e no preço das outras commodities continua a ser importante, apesar de estruturalmente estar em redução desde 2011 – tem tido flutuações, com a descida para um mínimo de 47,7 dólares em janeiro, uma subida para 54,85 dólares no final de março e 66,78 dólares no final de abril e uma descida para 65,52 dólares no final de maio.

Em relação ao mínimo de janeiro, o preço do barril de Brent subiu 37% em dólares no final de maio. O Citi Research aponta para um preço médio anual de 63 dólares em 2015 – face a 100 dólares em 2014.

No contravalor em euros, o preço do barril de Brent no final de maio subiu 0,7% em relação ao final de abril e 46% em relação ao mínimo de 41,03 euros registado a 13 de janeiro, segundo dados do site finanzen.ch.

Para o analista Tom Whipple, editor do “Peak Oil News” diário, a estratégia da Arábia Saudita parece estar a render e por isso a posição da OPEP, o cartel de 12 exportadores do petróleo, não deverá alterar-se na reunião de 5 de junho. “Ninguém parece agora discordar dos sauditas depois do aumento recente do preço do barril”, comenta-nos. Na reunião anterior, em novembro do ano passado, a OPEP tinha decidido não alterar (nomeadamente cortar como reclamavam diversos membros do cartel e a Rússia) o teto oficial de produção de 30 milhões de barris por dia.