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Agricultura

Agricultores em defesa da produção nacional

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Centenas de agricultores marcharam hoje, desde a estação ferroviária de Aveiro até a feira agrícola Agrivouga, em protesto contras as políticas agrícolas do atual e anteriores governos.

Centenas de agricultores marcharam hoje, desde a estação ferroviária de Aveiro até a feira agrícola Agrivouga, em protesto contras as políticas agrícolas do atual e anteriores governos e apelando ao consumo de produtos nacionais.

Envergando cartazes com as palavras "A seca é só nossa", "Parem de sugar o povo" ou "Não a tanta importação, sim à produção", os diversos agricultores contactados pela Lusa insurgiram-se, sobretudo, contra a falta de apoio a quem mais produz.

"As pessoas não são incentivadas a produzir, porque o preço à produção é cada vez mais irrisório e todos os fatores da produção, seja adubos, seja sementes, seja gasóleo, aumentam cada vez mais", disse à Lusa João Sousa, dirigente da Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro (ALDA).

"Há cada vez menos rendimento para os agricultores, daí o abandono da agricultura familiar", lamentou o dirigente, considerando que "é preciso dar a possibilidade às pessoas para produzirem como produziam no passado e escoar [a produção] e não importar".

"Não só estamos a prejudicar a nossa economia como estamos a mandar dinheiro para o estrangeiro", disse João Sousa. Em representação do Partido Comunista Português (PCP), a eurodeputada Inês Zuber disse à Lusa estar "solidária, porque esta manifestação é demonstrativa não só da vontade que os agricultores têm em continuar a produzir, mas também da capacidade que Portugal tem para produzir os seus próprios recursos".

"Não somos um país pobre, temos potencial para aumentar a nossa capacidade alimentar muito mais do que existe hoje, que é apenas cerca de 20 por cento das nossas necessidades", disse a eurodeputada".

Para o presidente da Associação de Agricultores da Guarda (AAG), António Machado, "a política agrícola que é aplicada em Portugal é um desastre", pelo que. em declarações à agência Lusa, quis "lançar um apelo à ministra da Agricultura", Assunção Cristas, para que pare "de dar dinheiro a quem nada produz." "Os milhões e milhões de euros que vieram da Comunidade [Europeia] foram dados a pessoas, na área da agricultura, que só têm a terra. Mas um agricultor não é aquele que tem terra, é aquele que nela produz. E é a esse que é preciso dar ajudas", disse à Lusa António Machado.

Com 84 anos de idade, o presidente da AAG garantiu à Lusa lembrar-se bem "dos anos 1930 e 1940, em que metade da população portuguesa passava fome." "Hoje já estamos [em situação] igual. São milhões de portugueses a passar fome e damo-nos ao luxo de batermos o recorde da Comunidade em terras abandonadas. Isto não pode continuar assim".