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Cinza islandesa chega à Bolsa

O Citigroup acredita que assim que os aviões voltarem a voar, os preços e os lucros das companhias aéreas europeias vão recuperar "fortemente". Até lá companhias como a Air France-KLM e a Lufthansa perdem entre 35 e 50 milhões de euros por dia. Clique para visitar o canal Dinheiro

Nuno Alexandre Silva

A nuvem de cinzas do vulcão islandês Eyjafjallajokull não é apenas uma ameaça aos aparelhos aeronáuticos. Em terra, as cinzas vão "corroendo" a saúde financeira das principais companhias europeias e as perdas vão-se acumulando. O Citigroup avalia que a Air France-KLM esteja a perder entre 35 e 50 milhões de euros por dia, o mesmo valor que o custeado pela germânica Lufthansa e bastante acima do que a British Airways está a sofrer, com custos entre os 20,4 e os 32 milhões de euros. As operadoras de baixo custo Ryanair e Easyjet deverão estar a perder qualquer coisa como 4 e 4,5 milhões de euros por dia, respectivamente, com os aviões em terra.

Entre as transportadoras aéreas europeias cotadas em bolsas mais acessíveis aos investidores portugueses, a Air France-KLM é a empresa que mais perde desde o dia 15 de Abril. A companhia já perdeu 6,41% na bolsa de Paris, enquanto a Iberia já acumula quedas de 5,83% em apenas cinco dias e a British Airways cai mais de 5%. Para os aeroportos o cenário também não tem sido favorável. A companhia Aéroports de Paris, que opera os aeroportos Charles de Gaulle e Orly em Paris, e a Fraport, que opera o Aeroporto Internacional de Frankfurt, deverão estar a perder 4 milhões de euros por dia, de acordo com os cálculos do analista do "Citi", Andrew Light, ele próprio a 19 mil quilómetros de casa, a custas da British Airways.

Oportunidades de compra

Ainda assim, estas não são notícias que demovam as casas de investimento. A gestora britânica Schroders indica que seriam necessários entre 10 a 16 dias de paragem dos aviões para o PIB britânico cair 0,1%, mas para já afastam piores cenários:"o sector não foi vítima de vendas em larga escala", lê-se numa nota da companhia que adianta ainda que não têm "preocupações significativas com o impacto de longo prazo das complicações no sector".

Andrew Ligth, do "Citi", acredita que esta é uma oportunidade para os investidores. "Esperamos que os lucros e as cotações das acções recuperem fortemente assim que o espaço aéreo reabra e vemos isto como uma oportunidade para acumular as acções com recomendação de compra", indica o "The Globaliser" divulgado hoje. As acções de transportadoras aéreas que são aposta de compra por parte do "Citi" são a grega Aegean Airlines, as operadoras de aeroportos Aéroports de Paris e Fraport, a British Airways, a Easyjet, a Iberia, a Lufthansa e a Ryanair.

Nick Kirrage, analista da Schroders da área da aviação, indica que as implicações são de "uma grande preocupação para os passageiros", mas não acredita em transtornos para os accionistas e mostra confiança no futuro do sector: "não acreditamos que isto faça descarrilar a recuperação do sector da aviação".

Apesar disso, os riscos persistem. Ambas as casas de investimento indicam que o cenário pode ser mais negativo se os aviões continuarem em terra por um prazo mais alargado. Nesse cenário, só algumas acções teriam "músculo financeiro" para aguentar sem dificuldades, como a Aegean, a Air France-KLM, a British Airways, a Easyjet, a Iberia, a Lufthansa e a Ryanair, segundo o Citigroup.