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Corrida às Bolsas na Europa

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As cotadas europeias captaram 39 mil milhões de euros nas últimas 10 semanas. As Bolsas na Europa estão hoje em máximos de mais de sete anos. Os investidores acreditam que o euro fraco vai impulsionar a economia e os resultados das empresas.  

As ações europeias estão hoje em máximos de mais de sete anos, num frenesim de compras por parte de investidores que acreditam numa recuperação económica na região à boleia do euro fraco e da política do Banco Central Europeu (BCE). O índice europeu Stoxx 600 acumula uma subida de 17,2% este ano. Em contraste, nos Estados Unidos, o índice S&P 500 soma ganhos de apenas 2,1%.

Segundo dados do Bank of America-Merrill Lynch, os fundos de ações europeias atraíram 5 mil milhões de euros na última semana, elevando o total das últimas 10 semanas para 39 mil milhões de euros, diz a Reuters. 

O índice alemão DAX tem atingido máximos históricos sucessivos e hoje também o FTSE em Londres atingiu um novo recorde. O Stoxx 600 subia 0,73% para os 403,80 pontos, às 15H48. Em lisboa,  índice PSI-20 segue a subir 1,5%, enquanto o Dax ganhava 1.2% e o CAC em Paris somava 1%. 

O euro perdeu 25% face ao dólar nos últimos 12 meses.

"Começa a não haver riscos. O BCE implementou uma rede de segurança que elimina grande parte dos riscos em termos de evolução da economia na zona euro. E o BCE está a empurrar os investidores para ativos de maior risco", diz Albino Oliveira, analista da Fincor.

"O Dax está indescritível. Se as empresas alemãs já eram grandes exportadoras, agora com o euro fraco vão exportar muito mais", adianta, sublinhando o excesso de liquidez existente.

O BCE tem em marcha um mega plano de compra de dívida para estimular a economia. E esta semana a Reserva Federal, nos Estados Unidos, deu indicações de uma maior cautela em relação à evolução da economia norte-americana, sinalizando uma subida mais cuidada das taxas de juro no país.

"Há um fluxo de capitais para a Europa para aproveitar a baixa do euro. Há algum racional por detrás destas subidas", João Queiroz, analista da GoBulling. "As obrigações já têm remunerações próximas do zero ou mesmo negativas. As taxas de juro estão muito baixas e não há alternativas", frisa.

Lisboa entre as que mais sobem

"Portugal teve um mau ano no ano passado. E se o enquadramento é positivo na Europa também é positivo para Portugal", afirma Albino Oliveira. A Bolsa portuguesa, está entre as que mais sobem no mundo este ano e lidera na Europa, com o índice PSI-20 a acumular ganhos de 24%

"Não quer dizer que não haja riscos: "uma evolução cambial demasiado rápida, uma mudança na tendência na economia na China e resultados de empresas fracos" podem levar a descidas nas Bolsas, aponta o analista da Fincor.

Para João Queiroz, esta subida das Bolsas "é sustentável para a periferia, onde os mercados acionistas podem ter mais algum espaço para subir". "Noutros casos, há ações que estão esticadas (em termos de valorização), com alguns múltiplos de empresas acima da média".

"Também temos, neste momento, variáveis para dentro de uns tempos estarmos na tempestade perfeita", alerta o mesmo analista.