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CMVM levanta suspensão das ações da Pharol

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Os títulos da empresa que junta os antigos acionistas da PT foram suspensos na terça-feira, devido ao anúncio pela Oi de um processo de recuperação judicial. Após a Pharol ter revelado os detalhes do processo a CMVM aprovou a retoma da negociação das ações da empresa

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) aprovou na manhã desta quarta-feira o regresso à negociação em bolsa das ações da Pharol SGPS, a empresa que junta os antigos acionistas da Portugal Telecom (PT) e que é o maior acionista da brasileira Oi.

A CMVM tinha suspenso a negociação dos títulos da Pharol na terça-feira, à espera que a Pharol divulgasse informações relativas ao processo de recuperação judicial que foi anunciado pela Oi, no Brasil, o que entretanto sucedeu. No dia de ontem as ações da Pharol caíram mais de 4%. No momento da suspensão pela CMVM os títulos eram transacionados a 12,8 cêntimos cada.

Num comunicado divulgado ao mercado na terça-feira a Pharol explica que o pedido de recuperação judicial (semelhante aos processos especiais de revitalização em Portugal, que protegem empresas em dificuldades da execução de dívidas pelos credores) será submetido a votação em assembleia geral da Oi a 22 de julho.

“O pedido de recuperação foi entregue tendo em conta os obstáculos enfrentados pela administração da Oi na tentativa de encontrar uma alternativa viável junto dos seus credores”, explica a Pharol, assumindo que esse pedido visa “viabilizar a adequada proteção das empresas Oi contra credores, preservando a continuidade das atividades empresariais destas mesmas empresas”.

Em causa está a continuação das operações da Oi, uma das maiores empresas brasileiras de telecomunicaçoes, detida em cerca de 27% pela Pharol. A Oi tem dívidas da ordem de 65,4 mil milhões de reais, o equivalente ao câmbio atual, a 17 mil milhões de euros. Uma das propostas que alguns grandes credores terão feito foi a conversão da dívida em capital, o que a Pharol recusou, porque implicaria a diluição da sua participação na Oi para valores residuais.

“A Pharol reitera a sua determinação em continuar a defender a valorização do seu principal ativo – a participação de 27,2% de ações detidas direta e indiretamente através de subsidiárias a 100% na Oi - e a sua vontade de continuar a acompanhar, de perto e com todos os meios, a evolução da Oi durante o processo de recuperação judicial”, refere ainda a empresa portuguesa.

  • Há €231 milhões de antigas obrigações da PT, hoje na Oi, em risco

    A administração da operadora brasileira Oi, a braços com uma dívida de 65 mil milhões de reais, está sob pedido de proteção judicial de credores. Há em risco o pagamento de obrigações da antiga PT, no montante de €231,2 milhões, referentes a uma emissão de €400 milhões feita em 2012. A Oi, com quem a PT se fundiu em 2014, será alvo de um profundo processo de reestruturação. As ações da portuguesa Pharol, maior acionista da Oi, estão suspensas