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Investidores da espanhola Abengoa unem-se para recuperar o seu dinheiro

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Subscritores de obrigações da Abengoa vão recorrer a um banco americano para tentar reaver 4,4 mil milhões de euros investidos em títulos da empresa espanhola

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

As dificuldades financeiras da empresa espanhola Abengoa poderão levar à maior falência de sempre do mercado espanhol e quem investiu em títulos de dívida do grupo já começou a preparar-se para a batalha pela recuperação do dinheiro aplicado na companhia, segundo o jornal "Expansión".

De acordo com o jornal espanhol, vários investidores institucionais que subscreveram obrigações da Abengoa uniram-se para tentar garantir a recuperação do seu dinheiro, tendo para o efeito contratado o banco norte-americano Houlihan Lokey. O "Expansión" indica que entre esses investidores estão as gestoras de fundos Blackrock e Pimco, mas o leque de investidores que serão representados pelo banco norte-americano ascende às "centenas".

A Abengoa, que desenvolve o seu negócio na área da energia e do ambiente, tem neste momento por reembolsar empréstimos obrigacionistas em torno de 4,4 mil milhões de euros, com uma maturidade próxima dos três anos e um juro médio de 7,4%.

Segundo o "Expansión", a cotação das obrigações da Abengoa que vencem em março do próximo ano (um empréstimo no valor de 500 milhões de euros) tiveram uma desvalorização de 40% em apenas dois dias.

A crise da Abengoa precipitou-se nos últimos dias com o anúncio de um pedido de proteção contra credores, um processo pelo qual a empresa espanhola tentará, sob proteção judicial, desenhar uma estratégia de recuperação para evitar a falência.

As dificuldades da empresa agravaram-se depois de um novo investidor ter visto a banca recusar financiar 1,5 mil milhões de euros para a Abengoa prosseguir com investimentos que estavam suspensos.

Com mais de 6 mil milhões de euros de dívida líquida, a Abengoa tem entre os bancos credores três instituições portuguesas (Novo Banco, Caixa Geral de Depósitos e BPI), que no seu conjunto têm por receber da empresa espanhola cerca de 75 milhões de euros.