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Documentos desmentem Salgado sobre "sim" de Carlos Costa a Morais Pires

Salgado com Morais Pires (à esquerda na foto) e Ricciardi ao fundo

Ricardo Salgado largou a bomba na comissão de inquérito. A propósito da nomeação de Morais Pires para CEO do BES, que acabou por não se concretizar, afirmou que o governador do Banco de Portugal aceitou o nome ao afirmar que "será quem o senhor entender". 

Os documentos a que o Expresso teve acesso contam uma história diferente. O governador nunca disse "sim" a Morais Pires. Nem a outra qualquer pessoa. Carlos Costa insistiu sempre que o Banco de Portugal se pronunciaria sobre a idoneidade dos membros da comissão executiva somente depois de estatutariamente escolhidos e designados. Aliás, esse suposto telefonema nunca terá acontecido, de acordo com fonte próximo de Carlos Costa contactada pelo Expresso.

A versão de Ricardo Salgado é desmentida por correspondência trocada entre com Carlos Costa. A 20 de junho, Salgado pediu ao governador que autorizasse o nome de Morais Pires como CEO do banco. Era uma questão "urgente", pois havia bancos a suspender as linhas interbancárias, dúvidas levantadas sobre quem tinha investido no aumento de capital e novos investidores a querer saber o que se passava. Até o nome do na altura presidente do IGCP e responsável pela dívida pública portuguesa é referido como argumento para tentar convencer Carlos Costa: "O João Moreira Rato manifesta grande preocupação sobre o potencial impacto no mercado". Por estas razões, Salgado queria que fosse indicada ao mercado "a nomeação de Amílcar Morais Pires como CEO". 

Na resposta, ainda no mesmo dia, Carlos Costa refere que, tal como já tinha transmitido antes, o "Banco de Portugal não está em condições de validar um nome proposto por um accionista de referência sem avaliar o preenchimento dos requisitos de idoneidade". O governador afirma ainda que a escolha do novo CEO é competência do conselho de administração, mas que essa escolha não pode "levar implícita que a proposta de um determinado candidato terá supostamente merecido o acordo prévio do Banco de Portugal".

As palavras de Carlos Costa são claras: "Reitero que o Banco de Portugal avaliará a idoneidade dos membros dos órgãos sociais depois de estatutariamente escolhidos e designados (...), sendo que cada candidato deverá avaliar individualmente se preenche indubitavelmente esses requisitos estabelecidos na lei para a avaliação da idoneidade e deverá ponderar os riscos de poder vir a ter uma decisão negativa".

Já depois de o Expresso ter publicado esta notícia, o Banco de Portugal revelou uma carta que Carlos Costa enviou esta terça ao Parlamento em reação às declarações de Salgado.

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