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Dívida portuguesa no "top" das mais rentáveis

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Apesar das agências de 'rating' manterem a dívida portuguesa no nível de "lixo", as obrigações do Tesouro lusas são as que estão a render mais aos investidores. Programa de compra de dívida do Banco Central Europeu tem ajudado.

A linha de obrigações do Tesouro a 30 anos, emitida em janeiro, valorizou até hoje 36%, o que faz da dívida portuguesa aquela que oferece o melhor retorno a nível mundial. Os investidores estão atentos e os analistas acreditam que ainda há margem para mais ganhos, como aponta a edição de hoje do "Jornal de Negócios", que faz manchete com o tema.

Esta tendência de valorização regista-se em todas as maturidades da dívida e coloca Portugal no topo das rendibilidades mundiais - a par de outros países europeus: das 10 dívidas com melhor retorno, 8 são europeias. Um comportamento que reflete os efeitos do programa de compra de dívida pública do Banco Central Europeu (BCE).

A dívida portuguesa com maturidades superiores a um ano acumula um ganho de 6,43% desde o início de 2015. Mas a que mais se destaca é, de facto, a valorização das obrigações do Tesouro a 30 anos. Nesta, Portugal lidera os retornos mundiais, à frente de países como a Dinamarca e a Itália.

Por isso, o Commerzbank escolheu a dívida portuguesa como a sua preferida para o segundo semestre deste ano. Na nota de análise, citada pelo "Jornal de Negócios", salienta: "Portugal é o nosso preferido e, dada a liderança desde o início do ano, deverá ser o líder das rendibilidades em 2015".

Estes ganhos da dívida pública portuguesa, gerida pelo IGCP, são uma nota positiva para os investidores, depois de, na última sexta-feira, a agência Fitch ter decidido manter o 'rating' BB+, o primeiro nível de "lixo financeiro", para a dívida portuguesa. A reduzida confiança no cumprimento das metas do défice pelo Governo português e, sobretudo, a revisão em baixa do potencial de crescimento da economia lusa foram as razões que levaram a agência de 'rating' a manter Portugal no nível "lixo". A valorização da dívida pública portuguesa parece, pois, seguir indiferente às notações das agências de 'rating'.