Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Dívida de 60% em 2035 "é inexequível", diz Ferreira Leite

Manuela Ferreira Leite não acredita que Portugal consiga baixar a dívida pública para 60% do PIB em 2035, como está previsto no tratado orçamental. "É impossível".

Manuela Ferreira Leite diz que o tratado orçamental "é tão violento" que significa, na prática, perder o único instrumento de política que sobrava, a política orçamental. A redução que está prevista "é inexequível", afirmou. "É impossível".

 

Este "é o momento adequado para sabermos o que nos espera", nomeadamente para não gerar "uma frustração na sociedade", de que em maio deixaremos de ter austeridade.

 

"O que nos espera é um Tratado Orçamental, que nos cria constrangimentos à nossa atuação de política económica extremamente difíceis. Esse constrangimento orçamental é de tal maneira violento na redução de metas e as medidas são de tal forma restritivas que eu diria que perdemos também a política orçamental. Não há liberdade de política orçamental que resista".

 

"Nada mais perigoso que as posições extremistas", acrescentou a ministra das Finanças de Durão Barroso. "Perante a situação em que nos encontramos, o problema da dívida foi o tema em 2011, em 2012, em 2013, é em 2014 e será em 2015. Não devemos pois ser extremistas, nem dizendo que 'não pagamos' nem dizendo que não se pode falar nisso. Entre os dois extremos há situações intermédias que temos de debater. Temos de evitar situações extremistas. É na discussão no equilíbrio e no consenso entre estes dois extremos que nós devemos concentrar", explicou.

 

A ex-líder do PSD falou no Fórum das Políticas Públicas, no ISCTE, que juntou no mesmo painel quatro antigos ministros das Finanças: Manuela Ferreira Leite, António Bagão Felix, Fernando Teixeira dos Santos e Vítor Gaspar. No conjunto, os quatro governaram na pasta das Finanças de 2002 a 2013.