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"Discutir se o Estado deve gastar mais é fugir ao problema"

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Teodora Cardoso, Presidente do Conselho de Finanças Públicas

Alberto Frias

Para Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas, manter o défice abaixo dos 3% não é um impedimento ao crescimento da economia. É, na sua opinião, um imperativo que facilmente pode falhar se nada for feito e se não forem mantidas algumas medidas de austeridade.

Austeridade é, de resto, uma palavra que a presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP) rejeita por não afastar a discussão do que realmente interessa: meter a economia a crescer sem ser à base de crédito.

P: Uma das conclusões do relatório do CFP é que, sem novas medidas ou não renovando algumas das que estão em vigor, o défice ultrapassa 3% em 2016. É inevitável manter a austeridade?

R:
Não é exatamente isso que o relatório diz. Para que algumas medidas continuem em vigor tem de haver decisões explícitas. O caso típico é, por exemplo, a sobretaxa no IRS que tem sido renovada anualmente no Orçamento do Estado. Nós admitimos que ela deixaria de existir. A mesma coisa acontece com a reposição dos cortes na Função Pública. Não significa que estejamos a prever isso. Haverá naturalmente medidas alternativas.  

P: Seja qual for o cenário, tem de se manter alguma austeridade?

R:
A discussão da austeridade é uma excelente maneira de não se discutir nada do que precisa de ser discutido. Discutir se devemos pôr o Estado a gastar mais dinheiro, sem o ter, é fugir ao problema que é meter a economia a crescer com base em produtividade e emprego. Se não fizermos nada, caímos novamente em défice excessivo. 

P: É o pior dos cenários?

R:
Exatamente. E deixemo-nos de conversas de austeridade. 

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