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Benfica: obrigações que rendem mais que depósitos

Com os depósitos a prazo a perderem poder de atracção com os juros oferecidos, as obrigações dos clubes de futebol apresentam retornos atraentes.

Luís Caleira Marques

É preciso ter dinheiro para gerar dinheiro. E ter dinheiro e não o aproveitar para ganhar mais algum, é mau negócio. As soluções mais seguras para rentabilizar o dinheiro que tem acumulado passam pelos depósitos a prazo que o seu banco oferece e por títulos de dívida pública. No entanto, as taxas de juro oferecidas pelos bancos têm sofrido sucessivas revisões em baixa, acompanhando as quedas das taxas Euribor, e os produtos de aforro estatais também perderam poder de atracção, com os juros a caírem para mínimos nos certificados de aforro da série C.

Para os aforradores mais empenhados em fazer render o seu dinheiro o melhor é verificar no mercado que outros instrumentos existem e que taxas de juros oferecem, ainda que tenham que suportar mais algum risco. Uma das possibilidades existentes no mercado, até ao dia 20 de Abril, está nas obrigações do Sport Lisboa e Benfica - Futebol, S.A.D, que pagam a quem as subscrever uma taxa de juro bruta anual de 6% em cada semestre, até 2013 (a taxa de juro anual bruta no depósito promocional mais rentável num banco em Portugal está nos 5% e pertence ao Banco BIG). Para isso, o clube vai colocar no mercado oito milhões de obrigações a um valor de cinco euros cada, com o objectivo de obter um empréstimo obrigacionista de quarenta milhões de euros.  

Já no final de 2009, outro clube, o Futebol Clube do Porto, S.A.D., tinha lançado uma emissão de 3,6 milhões de obrigações, com a mesma remuneração que a do clube de Lisboa e no Verão de 2008 o Sporting - Sociedade Desportiva de Futebol, S.A.D. emitiu obrigações com juros de 7,30%.

Investimento de "amor ao clube"

As obrigações que se encontram disponíveis no mercado têm sempre associado o rating que as agências internacionais de notação de risco atribuem à empresa. No entanto, no caso dos três clubes, não existe notação de risco, como se pode verificar no prospecto das obrigações do Benfica: "A BENFICA SAD não dispõe de notação de risco (Rating), não tendo também sido solicitada notação de Rating para a presente emissão de obrigações." Sendo assim, será este investimento mais perigoso que o investimento em obrigações de uma outra qualquer empresa? De acordo com João Deus, da corretora DIF Broker, "os riscos inerentes numa SAD são os mesmos de um investimento numa outra empresa cotada na Bolsa".

Quando se fala nos resultados da SAD do Benfica é sempre referido o elevado passivo (340 milhões de euros no primeiro semestre da época 2009/2010), no entanto "a probabilidade de falência de um clube como o Benfica é baixa porque é um clube com uma das maiores massas associativas do mundo e por muito que um clube como o Benfica passe dificuldades acaba mais tarde ou mais cedo por se financiar", defende o corretor que acredita que "grande parte dos investimentos que são feitos nos títulos dos clubes ou mesmo nas obrigações são mais decisões emocionais (amor ao clube) e não decisões de investimento (económicas)".