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Corte do rating vai encarecer crédito

Depois da Fitch, foi a Standard & Poor's a reduzir a notação de risco para Portugal. Agora, só falta o veredicto da agência Moody's, mas os portugueses não tardarão a sentir os efeitos do aumento do risco de Portugal no acesso e no preço do crédito. Clique para visitar o canal Dinheiro

Joaquim Madrinha

"O corte do rating torna o financiamento à economia tendencialmente mais caro e, portanto, tendencialmente também há-de reflectir-se no financiamento à economia, não só no crédito habitação como noutros sectores", afirmou ontem o presidente executivo do BPI, Fernando Ulrich.

Esta é uma das principais consequências da descida da notação de risco em dois níveis realizada pela agência de rating Standard & Poor's (S&P). Ainda assim, quem já tem créditos contratualizados não deverá ser afectado, só os novos contratos é que deverão já incluir a subida do risco de incumprimento da República Portuguesa e, por consequência, do risco dos bancos nacionais que também viram os seus ratings revistos em baixa, o que dificulta o financiamento das instituições nacionais no estrangeiro.

Recorde-se que, após o corte realizado pela agência Ficth, em Março, alguns bancos ajustaram os spreads praticados nos créditos à habitação à nova realidade no mês seguinte. O Santander Totta alterou o intervalo de spread praticados de 0,70%-2,40% para 1%-2,45%, e o Banco Espírito Santo (BES) e Caixa Geral de Depósitos (CGD) seguiram o exemplo. O BES subiu o valor máximo no spread, de 3,30% para 3,80%, enquanto a CGD subiu o valor mínimo de 0,85% para 0,95% e o valor máximo de 2,60% para 3,20%.

Aliás, no inquérito trimestral realizado pelo Banco de Portugal às instituições financeiras, lê-se que "os critérios de concessão de empréstimos a sociedades não financeiras tornaram-se mais exigentes no primeiro trimestre de 2010".

"A questão da concessão de crédito às famílias pode, efectivamente, ser afectada, mas por uma coisa que não tem a ver com a situação actual e que não vai acontecer para já", disse o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, António de Sousa, à margem do Toque do Sino dedicado à literacia financeira que teve lugar no edifício da Euronext Lisbon, ontem em Lisboa.

O ex-Governador do Banco de Portugal adiantou ainda que "os bancos têm a perfeita capacidade para emprestar, não há nenhuma restrição ao crédito neste momento; o que há sim é, por um lado, o aumento progressivo do custo do crédito porque com o financiamento internacional a aumentar substancialmente, se os bancos hoje tivessem o seu financiamento com base no valor dos últimos dois dias estariam a perder centenas de milhões de euros".

Agora, falta apenas ouvir o veredicto da agência de notação de risco Moody's que, depois da Fitch e da S&P, também deverá rever o rating nacional.