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Prepare-se para a subida da prestação da casa

As previsões para a Euribor a 3 meses presentes no PEC dizem que os encargos com a prestação da casa podem subir 58% até 2013. Mas, nem tudo é mau. A taxa de remuneração dos certificados de aforro deverá mais do que triplicar. Clique para visitar o canal Dinheiro

Joaquim Madrinha (www.expresso.pt)

São boas e más notícias. Segundo as previsões do Governo patentes no Programa de Estabilidade e Crescimento 2010-2013 (PEC), quem tem créditos indexados à Euribor a 3 meses deve preparar-se para pagar prestações mais elevadas já no próximo ano. Mas, quem tiver certificados de aforro tem motivos para sorrir: as taxas de remuneração serão mais generosas no futuro próximo.

Crédito mais caro

A previsão surge na página 9 do documento, no quadro de hipóteses de valores para várias variáveis no âmbito do enquadramento económico internacional (versão corrigida). Segundo a estimativa do Governo, a Euribor a 3 meses deverá iniciar uma trajectória ascendente que culmina em 2013 com um valor médio anual de 3,2%, quase o triplo do valor médio do indexante registado em 2009 (1,218%).

Na prática, quem tiver um crédito à habitação de 100 mil euros a 30, 40 ou 45 anos, com um spread de 0,8%, que origina uma prestação de 343,3, 275,3 e 252,8 euros, respectivamente, de acordo com o valor médio do indexante em Fevereiro (0,662%), deve preparar-se para uma subida da prestação mensal entre 134,1 e 146,7 euros no próximo triénio.

Segundo as previsões do PEC, a prestação da casa pode aumentar 58% até 2013.

Fonte Simulações realizadas para um crédito de 100 mil euros com spread de 0,8%, tendo como referência a taxa média anual da Euribor a 3 meses prevista no PEC para 2011, 2012 e 2013.

O lado bom da subida da Euribor

Mas, a previsão governamental também tem uma óptica positiva para quem tem produtos de poupança com taxas de remuneração indexadas à taxa de juro, como é o caso dos certificados de aforro.

O ano 2009 ficou marcado por uma debandada dos certificados de aforro. Em termos líquidos, foram retirados 326 milhões de euros destes produtos de poupança estatal para pequenos aforradores. Percebe-se porquê. Como a taxa de remuneração dos certificados de aforro está relacionada com a taxa Euribor a 3 meses, a descida do valor do indexante retirou-lhes atractividade.

Por exemplo, quem tivesse investido 100 euros há um ano teria hoje 100,84 euros, segundo o simulador disponível no site do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público. Tal valor equivale a uma taxa média de rendibilidade de 0,84%, uma remuneração inferior à oferecida pelos depósitos a prazo, tanto à data como no presente. No entanto, face às previsões do Governo para o valor médio da Euribor a 3 meses em 2010 e 2011, os certificados voltam a ganhar brilho, como aplicação de médio e longo prazo.

Quem subscrever certificados de aforro em Março terá uma taxa anual bruta de remuneração de 0,812%. Em termos líquidos e caso a taxa se mantivesse nos próximos 12 meses, um aforrador ganharia 0,651 por cento líquidos ao fim de um ano. É um valor reduzido, inferior até aos 0,8 por cento previstos pelo Governo no Orçamento do Estado para 2010 para a taxa de inflação anual, o que representa perda de poder de compra. No entanto, como a tendência da Euribor é de subida e a taxa de remuneração para poupanças já aplicadas nos certificados é actualizada trimestralmente, estes produtos tornam-se numa boa solução para lucrar com a subida do preço do dinheiro.

Segundo o valor previsto no PEC para a taxa média anual da Euribor a 3 meses, a taxa média de remuneração bruta anual dos certificados de aforro deverá ascender a 2,29% no final de 2011, a 2,72% em 2012 e a 2,97% no final de 2013, mais do triplo da taxa estipulada para subscrições realizadas em Março.

Ora, se a este valor forem acrescentados os prémios de permanência de 0,5%, no segundo ano de investimento, de 0,75% no terceiro e de 1% no quarto, quem investir ainda em Março deste ano deverá estar a ganhar 3,21% brutos no quarto ano da aplicação ou 2,23% líquidos por ano, durante os quatro anos do investimento. Isto, se as previsões do PEC se verificarem entre 2011 e 2013.

Ou seja, quem pretender uma aplicação de curto prazo, deve recorrer à oferta de depósitos a prazo da banca, mas se a ideia for investir no longo prazo, os certificados de aforro são uma boa opção dada a tendência de subida da Euribor e os prémios de permanência. Note que, além dos prémios já citados entre o segundo e o quarto ano, a recompensa de permanência sobe para 1,25% no oitavo ano, para 1,5% no nono e para 2,5% no décimo e último ano de aplicação.