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O mundo dos depósitos alternativos

Cada vez mais os bancos sugerem os depósitos duais e indexados para aplicar o seu dinheiro. Conheça as características destes produtos e os cuidados a ter antes de os subscrever.

Luis Caleira Marques

Com os juros dos depósitos a prazo em níveis baixos, devido aos mínimos que as taxas Euribor têm atingido, os bancos têm vindo a apresentar aos seus clientes a alternativa de colocarem o seu dinheiro a render não apenas num depósito a prazo, mas em depósitos duais ou indexados. Só desde o iníco do ano, já foram comercializados 42 depósitos destas modalidades. Mas, serão estes bons produtos para o seu dinheiro?

Depósitos duais 

Segundo a definição presente no site do Banco de Portugal, "os depósitos duais correspondem à comercialização conjunta de dois ou mais depósitos bancários, que podem ser simples ou indexados". Ao contrário dos depósito a prazo simples, em que o investidor sabe qual a taxa que irá obter na data de maturidade, nestes depósitos a taxa final é desconhecida, embora haja alguns que garantem uma remuneração mínima. O funcionamento é simples: uma percentagem do valor a depositar é aplicada num depósito a prazo simples, com uma remuneração garantida, e outra percentagem é aplicada num depósito indexado, cuja remuneração é variável. Este produto tem a vantagem de ter associado um juro mínimo garantido que poderá aumentar, caso o activo ou activos aos quais o depósito está indexado tenham uma valorização positiva. Um ponto negativo na maioria destes depósitos é a impossibilidade de retirar o dinheiro antes do final do prazo de investimento.

Depósitos indexados 

O Banco de Portugal diz que "os depósitos indexados distinguem-se dos depósitos simples por a sua rendibilidade estar dependente da evolução de outros instrumentos ou variáveis económicas ou financeiras relevantes". A remuneração oferecida pelos depósitos indexados reflecte as variações dos activos que estão descritos no prospecto em "Instrumentos ou Variáveis Subjacentes ou Associados", podendo estes ser índices accionistas como o PSI-20 ou o Euro Stoxx 50 ou cabazes específicos de acções seleccionadas pelo emitente. A remuneração variável poderá ser igual à atingida pelos activos subjacentes ou sujeita a uma fórmula de cálculo específica. É o caso do Depósito Indexado "Valorização 5 USD - 2ª Série", emitido pelo banco Santander Totta, um dos 11 depósitos fléxiveis lançados pelos bancos em Abril. Este produto pode render 12%, caso o cabaz de acções a que está associado valorize, 6%, se quatro das cinco acções que constituem o cabaz valorizarem ou 1,5%, no mínimo.

Fazer o "trabalho de casa"

Na comparação entre depósitos simples e depósitos duais ou indexados, de acordo com Rui Pacheco, da Direcção de Investimentos do Banco Best "em termos de vantagens e desvantagens, estas prendem-se essencialmente com a introdução do fundo. Assim, todas as vantagens e desvantagens dos fundos face aos depósitos a prazo são aplicáveis". No entanto para que seja apelativo para o cliente a aposta num destes depósitos, "por norma e para 'chamar a atenção' os depósitos a prazo dos duais têm também uma taxa superior ao depósito a prazo tradicional".

Como saber se lhe é vantajoso um depósito dual ou indexado? Há que ler com atenção o prospecto informativo, analisar de que índices ou acções depende a remuneração variável e qual a taxa de juro mínima garantida. Caso verifique que esta é atractiva o suficiente para investir o seu dinheiro e que a probabilidade da remuneração variável ser positiva é alta, um depósito deste género poder-lhe-á ser vantajoso, dado que obtém o juro mínimo e poderá obter uma remuneração extra. No entanto, caso verifique que não existe garantia de remuneração e que a remuneração variável não é facilmente atingível, opte por um depósito a prazo simples.

Note que os depósitos duais ou indexados beneficiam da garantia de reembolso prestada pelo Fundo de Garantia de Depósitos até ao limite de 100 mil euros, sendo este um dos detalhes presentes nos prospectos informativos.