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Fundos para seguir o petróleo

Ainda a recuperação económica vai no adro e já o preço do petróleo superou os 80 dólares por barril. Haverá fundamento para a recente valorização do crude? Saiba o que dizem os especialistas. Clique para visitar o canal Dinheiro

Luis Caleira Marques

Qualquer pequena variação do preço do petróleo tem um enorme impacto na economia mundial e as últimas notícias sobre esta matéria-prima têm sido variadas. Entre as notícias que contribuíram para a queda do preço do petróleo realça-se o processo contra a Goldman Sachs e a especulação de que a recente valorização do petróleo é excessiva quando comparada com a força da economia mundial. No entanto, a revisão em alta feita pelo Fundo Monetário Internacional das suas estimativas para o evoluir das várias economias e os resultados do primeiro trimestre que têm vindo a ser apresentados pelas empresas cotadas, que estão a superar o esperado pelos analistas, fizeram com que o preço do petróleo aumentasse.

Segundo Jean-François Canton, presidente da gestora de activos francesa Comgest, "o preço "normal" [do crude] deveria ser 70 dólares e actualmente está acima de 85. Há muita especulação. Temos informação de que há bastante petróleo disponível e ainda existe capacidade produtiva não utilizada". Canton só vê uma justificação para subida do preço da matéria-prima energética: "existem três motores do crescimento económico mundial: China, Índia e Brasil. As suas indústrias e o seu consumo privado  necessitam cada vez mais de matérias-primas. Foi esta dinâmica que suportou a subida do preço das matérias-primas e actualmente existe muito dinheiro de especuladores ou investidores que têm fortes posições nestes activos".

Gavin Marriott, gestor de produtos de energia da Schroders, tem uma visão diferente. "Não nos revemos nas previsões de que se atingirá um pico na produção de petróleo a curto prazo. Contudo existem desafios técnicos na exploração e extracção de petróleo, e gás, e esses desafios vão manter os preços em patamares elevados no médio e longo prazo".

Em relação à possível falta de oferta de petróleo Marriott afirma que,"actualmente existe capacidade produtiva suficiente no sistema que pode ser activada rapidamente em caso de um aumento brusco da procura. A Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) continua cautelosa relativamente à sustentabilidade do crescimento económico mas tem a capacidade para aumentar a produção para acompanhar o aumento da procura, caso o escolha fazer".

Quanto à evolução do fundo da Schroders que investe no mercado energético, Gavin Marriott indica que "acreditamos que há potencial de valorização de 40% das acções que possuímos. Este potencial é baseado em estimavas conservadoras relativamente ao preço do petróleo", e sublinha que "temos recebido dados que sugerem uma forte subida nas encomendas de bens de consumo duráveis, que são um precursor importante para uma melhoria na procura. Isto vai ter implicações relativamente aos níveis de inventário de energia que poderão descer rapidamente, caso se mantenha este cenário na procura. Esta situação irá ser positiva para os preços do petróleo e da energia em geral."

Dê energia à sua carteira

Fonte Bloomberg. Rendibilidades anualizadas em euros líquidas de impostos. 26 de Abril de 2010.