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Fundos para "sambar" o crescimento económico do Brasil

Enquanto a maioria dos países do mundo lutam para sair da maior crise económica dos últimos 80 anos, a economia brasileira cresce a um ritmo anual de 4%. Saiba porquê e como ganhar com o descolar do maior mercado emergente da América Latina.

Jorge Pires

Quinhentos anos depois das primeiras caravelas lusas chegarem a Porto Seguro, o Brasil volta a ser um país de oportunidades de investimento. Segundo as últimas previsões da OCDE, nos próximos 4 anos, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deverá crescer cerca de 4%, devido ao "crescimento vigoroso da procura interna sobretudo apoiado nas exportações", justifica o organismo económico.

Além do crescimento interno, os investimentos para a realização do Campeonato do Mundo de Futebol em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016 funcionarão como catalisadores da expansão económica que deverá privilegiar os sectores da construção, energia, turismo, serviços e telecomunicações.

A porta dos fundos

Apesar de haver empresas nacionais cotadas que representam uma hipótese indirecta de investir no mercado brasileiro, é pela porta dos fundos que os portugueses devem procurar as melhores oportunidades de investimento em terras de Vera Cruz.

Entre a oferta das sociedades gestoras, as hipóteses são os fundos flexíveis BPI Brasil e o Espírito Santo Brasil. O primeiro, gerido pela BPI Gestão de Activos, investe em dívida pública e privada e em acções de empresas que tenham a sua actividade principal naquele país, uma estratégia que tem resultado para quem nele investiu. Desde o início da sua comercialização, a 8 de Fevereiro de 2000, o fundo rendeu anualmente 6,79%, incorrendo num risco elevado.

No final de Março, 30% do fundo estava investido em obrigações do estado brasileiro (30,9%) e em acções (60%), entre as quais se destacavam os títulos dos bancos Bradesco, Itaú Unibanco, da petrolífera Petrobras e da companhia de recursos naturais Companhia Vale do Rio Doce. Para investir neste fundo basta ter 250 euros.

O fundo gerido pela Espírito Santo Activos Financeiros (ESAF) é mais recente - foi iniciado em Julho de 2006. No entanto, desde então, o fundo ganhou em termos anualizados 2,8%, incorrendo num risco médio/alto.

No final de Março, o portefólio de participações do fundo era composto por obrigações (11%), acções (65%) e o restante em liquidez. Nas maiores posições accionistas encontram-se o Banco do Brasil, a Petrobras, a Companhia Vale do Rio Doce e o Banco Itaú Unibanco. Para começar a investir, são necessários mil euros.

Opções internacionais

Além da oferta nacional, os investidores portugueses podem ainda contar com os fundos geridos por sociedades estrangeiras comercializados nos chamados supermercados de fundos. Porém, aqui a oferta concentra-se em  fundos de acções puros. Ou seja, devem-se esperar maiores retornos potenciais, mas também volatilidades mais elevadas.

A rendibilidade média dos fundos internacionais com enfoque no mercado brasileiro ascende a 62,67%, um valor superior ao registado pelo índice Bovespa nos últimos 12 meses (55%). Destaque para o fundo gerido pela HSBC Investment Funds que, nos últimos 12 meses, rendeu 83,68%. No entanto, não se deixe impressionar pelas rendibilidades de curto prazo. Estes fundos são recomendados para investidores com capacidade para assumir riscos e com tempo para imobilizar o dinheiro por um período compreendido entre 3 a 5 anos. Logo, ao escolher um fundo, deve-se dar preferência a fundos com rendibilidades consistentes em largos períodos de tempo. Por exemplo, apesar do fundo HSBC Brazil Equity E ter sido o mais rentável da categoria no último ano, o fundo que demonstra maior consistência nos últimos 3 anos é o Parvest Brazil L, o fundo menos rentável a 1 ano, entre os apresentados na tabela.