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Investimentos que se preocupam com o planeta

Em Portugal, há 25 fundos de investimento que acompanham as alterações climáticas e se preocupam com a responsabilidade social, mas a história mostra que é o clima que tem sido mais lucrativo. Clique para visitar o canal Dinheiro

Nuno Alexandre Silva

Para quem não quer investir desprovido de consciência social e "paixão" pela Terra, há fundos que juntam os desempenhos financeiros com a preocupação social e ambiental. Por um lado os fundos socialmente responsáveis, que investem pelo menos dois terços do seu dinheiro em acções que façam da responsabilidade social uma máxima, tentam cativar o dinheiro dos investidores, por outro os fundos que estão a apostar na mudança climática e nas abordagens mais ecológicas tentam criar oportunidades num planeta em mudança.

Entre os muito arriscados fundos das duas abordagens com mais de cinco anos de idade comercializados em Portugal, os retornos médios líquidos rondam os 0,93% por cada um dos últimos cinco anos, com dois dos oito fundos a implicarem perdas para os subscritores. Com a inflação nacional média dos últimos cinco anos a cifrar-se nos 1,8% por ano, significa que os investidores em acções amigas do ambiente estão a perder dinheiro neste prazo.

Acções como Procter & Gamble, Apple, AT&T e Nestlé são alguns dos "trunfos" que povoam as carteiras dos fundos de investimento, especialmente a do fundo de acções socialmente responsáveis "mais" lucrativo nos últimos cinco anos, o ING Invest Sustainable Growth, que ofereceu neste prazo 1,70% líquidos por ano aos subscritores.

Quanto aos fundos mais ligados ao meio ambiente e clima, as apostas em empresas de energia renovável, como a Iberdrola Renovables e a norte-americana Itron, responsável por serviços nas áreas da electricidade, gás e água, têm sido mais bem remuneradas. Os dois fundos que investem em empresas que se estão a posicionar na mudança energética, o UBS EF Eco Performance e o UBS EF Global Innovators ofereceram aos investidores retornos de 2,12% e 3,68%, respectivamente, por cada um dos últimos cinco anos, superando a subida de preços em Portugal e aumentando o poder de compra real dos subscritores. E o futuro parece ter mais campo para estas companhias. Por exemplo, os cenários da petrolífera Shell para 2050 colocam as energias renováveis a pesar entre 30% e 37% do total da energia primária, quando actualmente não vão além de 13%.

Apesar de terem crescido menos do que as acções mundiais, estes são os fundos mais rentáveis no longo prazo.

Fonte Bloomberg. Rendibilidades anualizadas em euros líquidas de impostos. 16 de Abril de 2010.

O gestor do fundo com melhor retorno a longo prazo que está ao nível do retorno dos menos arriscados fundos de obrigações de taxa fixa geridos em Portugal, o UBS EF Global Innovators, dizia no relatório de Fevereiro do fundo que acredita que "o esforço para mitigar e para adaptar as alterações climáticas vão ser um dos principais catalizadores nas próximas décadas e oferece oportunidades de investimento interessantes".

Responsabilidade social sofreu com a crise

Nos últimos três anos, coincidentes com o período de crise financeira, os fundos foram fortemente penalizados. Entre os dez fundos (clima e socialmente responsáveis) com pelo menos três anos de vida, as perdas médias chegam aos 8,59% por cada um dos últimos três anos. Ainda assim, perdas que não foram tão fortes como, por exemplo, as dos fundos de acções em empresas portuguesas, que perderam em média 12,94% e dos fundos de acções europeias geridos por sociedades portuguesas, que neste período caíram mais de 11% por ano, de acordo com os números da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP).

Contudo, os últimos 12 meses foram de recuperação. Os fundos que seguem a responsabilidade social ganharam cerca de 30%, com o Pictet European Sustainable Equities a destacar-se com um retorno líquido de 35,50%, ainda que seja o fundo mais arriscado da sua classe. O gestor do Pictet, Lauren Nguyen, mantém-se cauteloso depois de ter aumentado as posições em acções como o BBVA e L'Óreal. "Continuamos a esperar um nível significativo de volatilidade", lia-se nos comentários do gestor de Março, que acredita que os mercados podem vir a assistir a "violentas movimentações", condicionadas pelo fluxo de notícias.

O fundo com menos risco (ainda assim muito alto como os demais da classe), medido pela volatilidade histórica, é o F&C Stewardship International, que nos últimos 12 meses ofereceu aos investidores cerca de 31% de retorno e que mantém em carteira títulos que tenham um contributo positivo para a sociedade, como a BG Group ou a Davita.