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Água "mata a sede" aos investidores

O elemento mais abundante do planeta rendeu mais aos investidores nos últimos cinco anos do que as acções europeias e norte-americanas. Clique para visitar o canal Dinheiro

Jorge Pires

Sempre que alguém abre uma torneira em Portugal, está, provavelmente a "matar a sede" à empresa de capitais públicos Águas de Portugal. A companhia que fornece o precioso líquido a 7,82 milhões de portugueses e que no ano passado apresentou lucros recorde de 46 milhões de euros não é, no entanto, passível de estar em carteiras de investidores privados, mas também não é a única a operar no território nacional. As receitas do sector da água geradas em Mafra, Ourém, Paredes e Valongo, vão desaguar a França, a uma das maiores empresas mundiais do sector, a Veolia Environnement. A companhia francesa que representa cerca de 25% do indice de acções que agrega as 17 maiores companhias mundiais do sector da água, o Bloomberg World Water, é presença assídua nas carteiras dos fundos de investimento que juntam acções que fazem tratamento, gestão e distribuição de águas a nível mundial.

Philippe Rohner, um dos gestores do fundo de investimento mais antigo (fez recentemente dez anos) em empresas deste sector, o Pictet Water, tem a Veolia Environnement como a principal aposta para os lucros no futuro. Quanto ao passado, os últimos 12 meses trouxeram uma rendibilidade de 29,54% ao fundo, recuperando assim as perdas de 2008 na ordem dos 3%. Para o gestor do fundo a nova redistribuição da carteira após as perdas de 2008, aliada às fortes subidas da Veolia e da American Water Works, a segunda acção mais pesada no fundo, ajudaram a recuperar os bons resultados que detinha até 2008. "Hoje o fundo apresenta um grande equilíbrio entre tecnologia e serviços, sem qualquer favorecimento em termos de regiões. Os países emergentes representam 18% da carteira, a Europa 31% e a América do Norte 47%", afirma Philippe Rohner.

Água bate acções europeias e dos EUA

Mas existem mais fundos que apostam neste sector, e que tiveram uma rendibilidade muito próxima nos últimos 12 meses do fundo da Pictet, como é o caso do Amundi Aqua Global, antigamente designado por CAAM Aqua Global. O fundo que aposta forte em empresas como a britânica Severn Trent e a norte-americana Nalco Holding, ganhou 28% no último ano, apesar de estar ainda negativo para os investidores que entraram no fundo há três anos. A equipa de gestão do fundo indicava no relatório de Fevereiro que "o segmento da água oferece oportunidades muito atractivas de crescimento uma vez que são necessários investimentos significativos para melhorar o acesso universal à água e substituir infraestruturas antigas".

Além destes fundos de investimento, existem outras soluções para os investidores que queiram seguir o líquido que bateu as acções norte-americanas, europeias e nacionais nos últimos cinco anos com rendibilidades de 5,19% por ano face aos 2,08% do índice S&P 500 e dos 3,24% das 500 maiores acções europeias.

Os fundos de investimento e ETF que seguem a água

Fonte Bloomberg. Rendibilidades anualizadas líquidas em euros.n.a.=não aplicável. 14 de Abril de 2010.

Os fundos cotados (ETF) que seguem o comportamento dos índices mundiais do sector da água, como se de uma acção se tratassem e que são menos visados pela fiscalidade, têm sido muito lucrativos nos últimos 12 meses. O PowerShares Global Water, transaccionado na bolsa de Nova Iorque, é o mais lucrativo no curto prazo, com mais de 40% de retorno enquanto o Lyxor World Water atingiu uma rendibilidade líquida de 30% nos últimos 12 meses.

Mas é o Fundo Pictet Water, que está no mercado há mais tempo a usar apenas o sector da água na sua carteira. Apesar da crise financeira mundial que vigorou em 2007 até ao primeiro trimestre de 2009, este fundo conseguiu lucros na ordem dos 5,27% para os seus investidores nos últimos 5 anos, e cerca de 3% anualizados nos últimos dez anos.

Para o gestor da Pictet, os sectores industrial e tecnológico são os mais importantes para o futuro da "água", juntamente com o factor politico. "O aumento da consciencialização dos políticos favorece o crescimento do sector, e se a indústria eliminar o factor político da água, sobretudo nos preços, os consumidores só têm a ganhar", afirma Rohner.