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Como aplicar 5 mil euros

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Nuno Alexandre Silva

Se tem umas poupanças para aplicar saiba que não faltam mealheiros seguros, multiplicadores arrojados e outras soluções ainda mais arriscadas para o seu dinheiro. Mas, antes de decidir, deve colocar duas questões: qual o prazo desejado e que risco está disposto a correr. O prazo de um investimento é determinante para a escolha da estratégia a seguir para maximizar o retorno potencial e minimizar o risco.

Dos mais seguros depósitos a prazo até aos voláteis títulos das empresas nos mercados bolsistas, o leque de instrumentos para valorizar o seu dinheiro tem invertido a tendência histórica nos últimos anos de crise. Apesar de as acções serem tomadas como os activos mais rentáveis no longo prazo, quem tivesse investido, por exemplo, em fundos de investimento em acções de sociedades gestoras portuguesas em Abril de 2007 estaria hoje com menos dinheiro e a perder para aplicações que normalmente rendem menos, como os certificados de aforro, que neste período capitalizaram a uma taxa de 2,33% por ano. Ou seja, sintonizar os activos com o prazo do investimento pode fazer a diferença entre ganhar ou perder dinheiro.

Aplicações para apressados

Quem pretender aplicar 5001 euros durante 1 ano, dormir descansado e garantir ganhos deve manter-se afastado das altas volatilidades. Como lembrou o famoso economista John Maynard Keynes, "os mercados podem manter-se irracionais por mais tempo do que você consegue manter-se solvente". Apesar de os juros do mercado interbancário da Zona Euro (Euribor) terem caído para os níveis mais baixos da sua história, alguns depósitos continuam a aliciar o dinheiro dos aforradores com prémios superiores às taxas do mercado.

Os bancos mais 'pequenos' (Banco de Investimento Global e Banco Best) têm os depósitos mais generosos para o curto prazo, com juros brutos entre 3% e 5% para novos capitais. Contudo, se quer rentabilizar o seu dinheiro vai ter de estar atento às oportunidades que surjam no mercado assim que termine o prazo contratado para que possa tirar o máximo proveito do seu dinheiro já que estes 'mealheiros' normalmente não possibilitam renovações. Por exemplo, se as condições de juros se mantivessem e um aforrador fosse saltando de oferta em oferta bancária procurando os melhores depósitos para um capital de 5000 euros podia alcançarum ganho de 124 euros em apenas 11 meses.

Meio fundo, risco pela metade

No mercado da dívida, talhada para investidores com perfil de risco situado entre as acções e os depósitos, os últimos tempos têm sido conturbados. Indicados pelas sociedades gestoras para investidores que procuram prazos acima de dois anos, os fundos de investimento que apostam em obrigações geridos em Portugal têm tido caminhos diferentes. Os fundos de obrigações de taxa fixa ganharam em média 3,60% nos últimos três anos, enquanto os de taxa indexada foram o espelho, perdendo 3,43% em média neste período. Numa nota de análise do banco norte-americano Citigroup, o mercado da dívida está apetecível: "recomendamos que os investidores aumentem a sua exposição ao mercado europeu do crédito". É nessa zona que está apostada a maior parte dos fundos geridos por empresas portuguesas. De acordo com os dados compilados pela Associação Portuguesa de Fundos de Investimento Pensões e Patrimónios, o fundo que apresenta melhores retornos para um risco médio baixo é o Santander Multi Taxa Fixa, com 5,88% por ano nos últimos três anos, mas assumindo um pouco mais de risco o Espírito Santo Obrigações Europa rendeu 6,41% por ano no mesmo prazo.

Se não suporta imaginar o seu dinheiro investido em carteiras que não lhe garantem o capital, então os bancos pensaram em si. Alguns depósitos permitem caminhadas de médio prazo com juros na ordem dos 2,6% líquidos por ano. Ou seja, se aplicar hoje 5000 euros no depósito mais generoso a três anos vai ter no final do prazo mais 400 euros na sua conta sem correr qualquer risco.

Nas corridas de fundo, arrisque

Os prazos mais longos são o terreno mais ajustável à volatilidade dos mercados accionistas. Os fundos de acções mundiais, como o BPI Reestruturações, ofereceram aos investidores rendibilidades líquidas acima dos 6% por ano nos últimos cinco anos, apesar de o período de crise ter tirado grande poder de atracção às carteiras de empresas cotadas em fundos de investimento. O fundo gerido pela BPI Gestão de Activos é o fundo com melhor rendibilidade nos últimos cinco anos entre os fundos nacionais, numa classe que aposta em títulos de grande capitalização em todo o mundo, diversificando assim o risco por muitas regiões e sectores.

Mas se a ideia for investir 5000 euros durante um prazo mais alargado, saiba que há fundos que até fazem a gestão do risco do investimento. Em Portugal, os únicos fundos ciclo de vida 'puros' que vai encontrar são da gestora Fidelity, já que os fundos LifePath do Barclays estão na classe dos PPR e o Millennium Prestige 2025 é um fundo de fundos misto de acções, o que implica comissões a dobrar. O Fidelity Target 2015 A ajusta a sua carteira até ao ano de 2015 para que o investidor esteja menos exposto ao risco à medida que se vai aproximando do prazo de maturidade, mas há mais prazos neste fundo (2020, 2025, 2030, 2035, 2040) que pode conciliar com datas importantes, como a entrada dos seus filhos na universidade ou a data estabelecida para trocar de automóvel.

Texto publicado no caderno Economia da edição do Expresso de 17 de Abril de 2010.