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Dinheiro entrava e saía do GES sem dar cavaco ao Banco de Portugal - para beneficiar credores?

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As revelações foram confirmadas na auditoria forense ao Banco Espírito Santo encomendada à Deloitte pelo Banco de Portugal, o supervisor liderado por Carlos Costa

FOTO Luis Barra

Banco de Portugal obrigara GES a criar conta para pagar papel comercial. Mas o dinheiro entrava e saída e da conta à revelia das ordens do Banco de Portugal. Há suspeita de credores beneficiados.

Pedro Santos Guerreiro e Filipe Santos Costa

O Banco de Portugal tinha ordenado o Grupo Espírito Santo a criar uma conta deniminada "escrow", para a qual reverteriam todas as suas receitas (nomeadamente de venda de ativos), com o objetivo único de pagar parte do papel comercial devido a credores.

Contudo, houve entradas de fundos nesta conta "sem suporte documental", e outras para as quais não houve informação disponiblizada.

Além disso, houve também saídas de fundos "para reembolsar papel comercial da ESI detido por clientes do BES, não classificados internamente no segmento de "retalho"", conclui a auditoria. EM causa está um valor de 740 milhões de euros, dos quais 500 milhões de clientes de private e 239 milhões de "outros segm

São revelações confirmadas na auditoria forense ao Banco Espírito Santo, que acaba de ser entregue aos deputados da Assembleia da República, e que era aguardada com expectativa. A auditoria forense, recorde-se pode ser usada para apuramento de indícios potencialmente criminais, caso a Procuradoria Geral da República o entenda.

Houve saída de fundos para reembolsar papel comercial detido por clientes do BAC (Açores) e do BEST banco eletrónico); saída de fundos para liquidar empréstimos bancários junto do BCP e do Montepio; saíde de fundos para liquidar obrigações da ES Irmãos, entre outros. 

Esta é uma das conclusões retiradas na auditoria forense ao Banco Espírito Santo, a que o Expresso teve entretanto acesso, depois das primeiras notícias sobre o documento terem sido relevadas pelo Negócios.

A auditoria forense ao BES em causa foi encomendada pelo Banco de Portugal com o objetivo de "analisar a existência de evidência de prática de atos por parte do BES e/ou da ESFG que possam ser considerados contrários à estratégia definida pelos supervisor nessas determinações, no sentido de assegurar a redução substancial e efetiva dos riscos decorrentes da exposição direta e indireta a entidades do ramo não financeira do Grupo Espírito Santo".

A auditoria foi realizada pela Deloitte mas o relatório entregue pelo Banco de Portugal na Comissão Parlamentar de Inquérito inclui também um anexo realizado pela sociedade de advogados Rebelo de Sousa & Associados com "uma análise do potencial enquadramento jurídico das situações identificadas".entos".