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Desemprego dispara, défice derrapa, dívida cresce e crescimento encolhe

Os dados das previsões económicas de inverno da Comissão Europeia, divulgadas hoje em Bruxelas, confirmam as expectativas mais negativas em relação à evolução da economia portuguesa

Getty Images

Previsões económicas da Comissão Europeia confirmam expectativas mais pessimistas em relação a Portugal. Olli Rehn não quer antecipar cenário de alargamento do prazo de pagamento da dívida portuguesa.

Daniel do Rosário, correspondente em Bruxelas

A taxa de desemprego deverá ultrapassar os 17% em 2013, enquanto o défice orçamental derrapa em relação às previsões do Governo e chega aos 4,9% este ano. Já em relação ao crescimento económico, as previsões de Bruxelas vão ao encontro do antecipado esta semana por Vítor Gaspar: a recessão este ano será quase o dobro do previsto, com uma contracção de 1,9%. A dívida pública, em vez de estabilizar a partir de 2014, tal como previsto no final do ano passado, continuará a aumentar este ano e também no próximo.



Os dados das previsões económicas de inverno da Comissão Europeia, divulgadas hoje em Bruxelas, confirmam assim as expectativas mais negativas em relação à evolução da economia portuguesa.



O desemprego em 2013 poderá chegar aos 17,3%, quase um ponto percentual acima do esperado em novembro do ano passado (16,4%), diminuindo ligeiramente em 2014, mas para 16,8% (previsão de novembro para 2014 era de 15,9%).



Já em relação à meta do défice, a Comissão antecipa o falhanço do seu cumprimento. Este ano, com 4,9% em vez dos 4,5% com que o Governo se comprometeu, e também no próximo, com 2,9%, acima dos 2,5% negociados com  a troika.



Tudo isto porque a realidade continua a arrasar as previsões do Governo português, avalizadas pela Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu, em relação ao crescimento económico. Agora espera-se que a economia nacional encolha 1,9% este ano e não apenas 1%. O valor de 2012 é igualmente revisto em baixa (-3,2%, em vez de 3%). No que parece ser uma estranha declaração de optimismo, a Comissão Europeia mantém a previsão de crescimento para 2014 nos 0,8%, o mesmo valor das previsões de outono de 2012.



No que diz respeito à dívida pública, Bruxelas abandona agora a expectativa de que o seu valor pudesse estabilizar a partir de 2014. A percentagem deste ano é revista em alta para 123,9% (em vez de 123,5%) e a de 2014 chega aos 124,7% (em vez de 123,5%).

Olli Rehn não quer falar antes do tempo

Num comentário a propósito destas previsões económicas, o comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros Olli Rehn referiu hoje ser "prematuro" avançar desde já com qualquer posição da Comissão Europeia relativamente ao pedido de mais tempo para pagar a dívida, que Vítor Gaspar anunciou e vai fazer à troika nos encontros em Lisboa na próxima semana.

"Do ponto de vista da Comissão Europeia, é prematuro falar em implicações potenciais para o procedimento de défice excessivo com base nestas previsões de inverno. Tal como eu disse, a próxima missão de revisão da troika começa na segunda-feira e vai prosseguir a análise das projeções prováveis para o crescimento económico e finanças públicas de Portugal. Por isso, a avaliação será efetuada e regressaremos a este assunto em tempo devido, depois de a missão de revisão ter concluído o seu trabalho", disse o comissário finlandês.