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Decisões do FMI não andam "a reboque" dos mercados

Christine Lagarde lamenta que os mercados tenham ignorado as medidas "corajosas" que muitos países europeus adotaram.

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) lamentou hoje que os mercados tenham ignorado as medidas "corajosas" que muitos países europeus adotaram contra a crise de dívida e disse que o objetivo do Fundo não é responder às variações bolsistas.

"As nossas análises não são ditadas pelas variações diárias do Dow Jones, do NASDAQ, do CAC ou do DAX, nós temos de olhar para os fundamentais da economia", afirmou Christine Lagarde, na conferência de imprensa de abertura dos encontros anuais do Banco Mundial e do FMI.

Lagarde, que falava no dia em que as bolsas mundiais registam quedas face ao pessimismo dos mercados devido, sobretudo, à crise da dívida soberana na zona euro e às perspetivas negativas para o crescimento dos Estados Unidos, destacou as "corajosas medidas de consolidação orçamental" que muitos países europeus adotaram.

A responsável admitiu, no entanto, que "há um desfasamento entre os compromissos e a colocação em prática" das medidas que, considerou, fazem parte do funcionamento das democracias e do sistema parlamentar, dando como exemplo a aplicação do que foi acordado na cimeira europeia de 21 de julho, que decidiu, entre outras medidas, a extensão do mandato e do volume do fundo de resgate do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF).

Acordos de 21 de julho marcam  "importante reforma da arquitetura económica"

Lagarde considerou que os acordos de 21 de julho marcam uma "importante reforma da arquitetura económica" europeia e elogiou a determinação dos responsáveis políticos da zona euro em proteger a moeda comum.

"Não se trata só de economia, nem de finanças, trata-se também de um destino político coletivo", afirmou.

Quanto à Grécia, a responsável do FMI reiterou a confiança de que Atenas vai conseguir sair da crise, mas sublinhou que é necessário para tal que a "União Europeia assuma um destino político coletivo", que o governo grego ponha em prática um programa de reformas que admitiu ser "difícil" e que seja possível encontrar uma forma apropriada de financiamento que assegure a sustentabilidade da dívida.

Reafirmando que "a atual situação económica está a entrar numa fase perigosa", Lagarde insitiu na necessidade de maior financiamento da banca europeia, face à crise da dívida soberana.

"Para assegurar o crescimento, é vital que os bancos estejam em posição de financiar a economia", disse a diretora-geral do FMI.