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CP surpreendida com greve a meio de uma negociação

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FOTO ANTÓNIO COTRIM / LUSA

A greve marcada pelo Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante quebrou quase dois anos de paz laboral e foi decidida no momento em que a CP negoceia o pagamento da dívida "histórica" reivindicada pelos revisores.

J. F. Palma-Ferreira

Dois anos de paz laboral foram quebrados pela greve marcada no período da Páscoa - a 2, 3, 5 e 6 de abril - pelo Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI). A administração da CP, liderada por Manuel Queiró, foi surpreendida com a decisão dos trabalhadores de revisão pertencentes ao SFRCI, que avançaram para a paralização, numa altura em que já está a ser negociada uma solução para a reposição dos valores pedidos por estes trabalhadores. 

A origem do problema tem perto de duas décadas e remonta à altura em que os trabalhadores de revisão e das bilheteiras deixaram de receber complementos salariais - designado na CP por "variáveis" - referentes às caraterísticas específicas do trabalho de revisor e de bilheteira. 

Apesar de estarem sujeitos ao regime geral da Função Pública, estes trabalhadores não tinham o mesmo horário laboral do funcionalismo público, sendo-lhes exigida a circulação em trabalho em horários diversos. Também nunca lhes foi consagrado um estatuto de exceção que refletisse a especificidade empresarial da atividade do transporte ferroviário. 

Com a passagem dos anos, o valor reivindicado em tribunal por estes trabalhadores a título das referidas compensações "variáveis" transformou-se num montante gigantesco, difícil de repor", como reconhece uma fonte da CP. 

No entanto, a administração presidida por Manuel Queiró está a negociar uma solução para o pagamento dos valores em causa - uma das alternativas inclui um plano de pagamentos faseados que saldaria a dívida ao fim de um determinado prazo. "Este dossiê está muito próximo de uma solução, por isso a administração da CP ficou surpreendida com a greve marcada para a Páscoa", refere uma fonte da CP.