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Cortes salariais reduzem poupança das famílias

Os cortes salariais na função pública e a redução das prestações sociais estiveram na base da diminuição do rendimento disponível das famílias que viram assim a sua capacidade de poupar diminuir no 1º semestre.

Os cortes salariais na função pública e a redução das prestações sociais estiveram na base da diminuição do rendimento disponível das famílias que viram assim a sua capacidade de poupar diminuir no final da primeira metade do ano.

De acordo com as contas nacionais trimestrais por setor institucional para o segundo trimestre do ano, a capacidade de financiamento do setor das famílias (que inclui ainda as instituições sem fins lucrativos) diminui 0,3 pontos percentuais no segundo trimestre, face aos primeiros três meses do ano, passando a situar-se nos 3,8 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

A taxa de poupança também caiu de 9,8 para 9,3 por cento neste segundo trimestre, em consequência de uma queda na poupança corrente das famílias em 6,1 por cento nos 12 meses terminados no final de junho.

Esta queda reflete a diminuição registada no rendimento disponível das famílias, apesar de existir um crescimento ligeiro no consumo privado em termos nominais (variação de 0,1 por cento). O rendimento disponível das famílias apresentou então uma queda de 0,5 por cento, interrompendo uma série de aumentos que vinham a acontecer desde o terceiro trimestre de 2009.

A inversão pela negativa deste ciclo de crescimento (de dois anos) do rendimento disponível das famílias explica-se segundo o INE com a especial incidência das mudanças salariais na Administração Pública (cortes salariais diretos e outros complementos que foram reduzidos), que tiveram um impacto negativo de 0,3 por cento nas remunerações recebidas pelas famílias em termos anualizados.

Acresce a estas mudanças a redução em 3,5 por cento das prestações sociais recebidas, já após as contribuições a que estão sujeitas. As famílias reduziram de forma expressiva o seu investimento no segundo trimestre, em cerca de 2,3 por cento, mas esta contenção de investimento não conseguiu impedir a diminuição da capacidade de financiamento das famílias, já que houve uma "considerável redução da poupança corrente e houve também uma redução das transferências de capital recebidas".